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John Kerry, enviado de Biden, visita China para falar de clima

John Kerry, enviado de Biden, visita China para falar de clima

(Arquivo) John Kerry fala com a imprensa ao sair de uma reunião com o presidente francês em Paris, em 10 de março de 2021 - AFP/Arquivos


O enviado dos Estados Unidos para o clima, John Kerry, chega à China nesta quarta-feira (14) para uma viagem de quatro dias – anunciou Pequim, em uma tentativa de ambas as potências de cooperar sobre meio ambiente, apesar do confronto em outras questões.

Esta é a primeira viagem de um funcionário do governo de Joe Biden à China. Kerry, secretário de Estado na gestão de Barack Obama, visitará Xangai e, depois, segue para a capital sul-coreana, Seul.

A viagem serve para preparar a cúpula virtual sobre o clima que Biden realizará na próxima semana, para a qual convidou o presidente chinês, Xi Jinping, e o russo, Vladimir Putin.

Pequim, que até agora não confirmou a presença de Xi na cúpula, disse que Kerry chegará na quarta-feira e ficará até sábado, “a convite da China”.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, disse que, durante a viagem, Kerry vai se reunir com o enviado chinês para o clima, Xie Zhenhua, e “trocará opiniões sobre a cooperação sino-americana sobre mudança climática”.


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A viagem de Kerry acontece, apesar de uma tensa reunião no mês passado, no Alasca, entre funcionários de alto escalão do governo Biden e seus homólogos chineses.

As duas partes se enfrentaram pelas acusações feitas à China de violação das liberdades de Hong Kong e de estar cometendo genocídio contra uigures e outras minorias majoritariamente muçulmanas na região noroeste de Xinjiang.

Washington disse esperar encontrar pontos de acordo, apesar das tensões políticas.

Em entrevista à rede CNN, Kerry havia declarado que, embora Washington e Pequim tenham “divergências significativas (…), o clima deve ser considerado em separado”.

Biden fez do clima sua prioridade absoluta, deixando para trás as posições de seu antecessor Donald Trump, alinhado com a indústria de combustíveis fósseis.

O atual presidente dos Estados Unidos retornou ao acordo de Paris de 2015, negociado por Kerry quando era secretário de Estado. O pacto obriga os signatários a tomarem medidas para limitar o aumento da temperatura a um máximo de 2ºC acima dos níveis pré-industriais.

Com o planeta ainda muito longe de atingir essa meta, Biden espera que a cúpula virtual da próxima semana se traduza em compromissos mais firmes, antes das conversas sobre clima dirigidas pela ONU em Glasgow, Reino Unido, no final deste ano.

Kerry, cuja campanha pelo clima já o levou a países aliados na Europa, Índia, Bangladesh e Emirados Árabes Unidos, disse que trabalhou em estreita colaboração com a China no acordo de Paris.

“Esperamos que a China participe e lidere” o esforço, “queremos trabalhar com a China nisto”, disse Kerry, em entrevista ao jornal India Today.

Uma solução global não é possível sem Estados Unidos e China, as duas maiores economias do mundo. Juntos, eles representam quase metade das emissões de gases causadores do efeito estufa, responsáveis pela mudança climática.

A China produz quase 30% das emissões de carbono, muito mais do que qualquer outro país, após décadas de rápida industrialização.

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