Esportes

Jogos Olímpicos não animam juventude japonesa


Skate, surfe e escalada fizeram sua grande estreia como esportes olímpicos em Tóquio, despertando muito interesse na mídia, mas o bom desempenho e a conquista de medalhas da delegação japonesa nas modalidades não conseguiu convencer o público jovem do país.

O skate foi retomado nos Jogos nesta quarta-feira depois que Yuto Horigome, de 22 anos, ganhou a primeira medalha do Japão no esporte (categoria street) em 25 de julho e Momiji Nishiya, de 13, se tornou um dia depois a medalhista olímpica mais jovem do país após sua vitória na prova feminina.

– Brilho nas novas modalidades –

Mas para Emiya Ajisaka e seus colegas, assistir aos Jogos na TV não é uma prioridade.

“Ninguém fala sobre os Jogos Olímpicos ao meu redor”, disse à AFP o adolescente de 13 anos enquanto joga futebol com seus amigos em um parque perto de algumas arenas de Tóquio-2020.

“Eu assisto mais o YouTube e jogo videogame”, acrescenta.

Nos Jogos, ele se interessa apenas pelo futebol. “Mas a Copa do Mundo é muito mais divertida, não é?”, pergunta aos amigos.

Antes que o Japão começasse a acumular medalhas nas novas modalidades, incluindo prata e bronze no surfe, as pesquisas de opinião mostravam que os jovens estavam menos interessados nos Jogos do que os mais velhos.

Um total de 63% das pessoas na faixa dos 20 anos declararam ter “bastante ou muito” interesse nos Jogos, contra 85% das pessoas na casa dos 60, segundo pesquisa realizada em 2019 pela rede de televisão NHK.

“Não odeio as Olimpíadas, mas elas não fazem parte das minhas prioridades e não me sinto obrigado a assistir ao vivo”, disse Ryo Kawasaki, um engenheiro de rede de 24 anos, em uma sala de escalada em Tóquio.

Segundo Munehiko Harada, presidente da Universidade de Ciências da Saúde e do Esporte de Osaka, a pandemia é “um dos fatores que explicam o baixo interesse dos jovens”.

A crise de saúde forçou o adiamento do evento por um ano. Além disso, os Jogos são disputados sem a presença de torcedores.

– ‘Um erro’ –



Kosei Fujiwara, de 13 anos, diz que a decisão de realizar os Jogos apesar da pandemia teve um efeito: “É um erro convidar um grande número de pessoas do mundo inteiro para Tóquio, onde os contágios atingem o auge”.

“Sem pandemia, eu teria apoiado os Jogos”, acrescenta, enquanto joga basquete com amigos.

O interesse pelo esporte continua alto entre os jovens japoneses, com necessidade de atividade física durante a crise sanitária, observa Harada.

“Mas o interesse pelos Jogos é menor principalmente devido à variedade de opções de entretenimento à disposição dos jovens”, explica o professor de marketing esportivo.

Yoshifusa Ichii, professor de esporte e sociedade na Universidade Ritsumeikan em Kyoto, acredita que os mais velhos têm uma conexão emocional com os Jogos desde a edição de 1964, também em Tóquio.

“Foi um evento simbólico que lembrou às pessoas a maneira como o Japão havia se erguido”, diz Ichii, sobre a recuperação após a Segunda Guerra Mundial.

Mas alguns adolescentes são atraídos pelos Jogos, especialmente pelos novos esportes.

Haru Fujirai, de 11 anos, se inspira na campeã olímpica de skate Momiji Nishiya.

“Já vi uma menina dois anos mais velha que eu ganhar uma medalha de ouro”, diz ele, que começou a andar de skate no ano passado.

“Quero continuar treinando e um dia participar dos Jogos”, completa.

si-oh/ras/pm/psr/aam

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