No futebol, estamos acostumados a heróis que marcam gols nos acréscimos ou goleiros que defendem pênaltis decisivos. No entanto, nesta terça-feira (24), o mundo conheceu um tipo diferente de herói. Em uma partida da liga amadora de Istambul, na Turquia, o capitão do Istanbul Yurdum Spor, Gani Çatan, não precisou da bola nos pés para ser o protagonista do dia. Ele utilizou as mãos para realizar uma manobra de ressuscitação improvável: uma massagem cardíaca em uma gaivota.
“Reanimación”
Porque una gaviota cayó al piso tras un pelotazo, y un jugador se puso a reanimarla y lo logró. pic.twitter.com/qEYlVEmKB6
— Tendencias en Argentina (@porqueTTarg) February 23, 2026
O incidente, que rapidamente se tornou um fenômeno global nas redes sociais, ocorreu após um lance fortuito. O goleiro da equipe realizou um lançamento longo quando a ave, voando em baixa altitude sobre o gramado, foi atingida em cheio pelo balão. O impacto foi imediato e o animal caiu imóvel no círculo central, interrompendo o fluxo do jogo sob o olhar atónito de jogadores, adversários e espectadores.
O “protocolo” do instinto
Diferente de profissionais de saúde, Gani Çatan não possui treinamento formal em primeiros socorros. No entanto, o instinto de preservação falou mais alto. Ao perceber que a ave não apresentava sinais de respiração, o capitão correu em sua direção e iniciou uma massagem cardíaca rítmica, pressionando delicadamente a caixa torácica do animal com os dedos, simulando o protocolo de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) humano adaptado à anatomia da ave.
“A primeira coisa que me veio à mente foi fazer a massagem, porque ela não conseguia respirar. Eu simplesmente arrisquei”, relatou Çatan à agência de notícias Anadolu. O momento de tensão, registrado em vídeo, mostra o silêncio respeitoso que tomou conta do estádio enquanto o atleta lutava pela vida do animal. Após alguns ciclos de pressão, a gaivota deu sinais de recuperação, voltando a respirar para o alívio de todos os presentes.
Assistência médica e legado
Assim que a ave recuperou os sentidos, a equipe médica do estádio, acostumada a tratar entorses e contusões de atletas humanos, assumiu o caso. A gaivota foi retirada de campo e recebeu cuidados para uma asa ferida decorrente do impacto. Segundo Fatih Büyük, diretor esportivo do Istanbul Yurdum Spor, o animal foi encaminhado para reabilitação e passa bem.
Embora o time de Çatan tenha saído de campo derrotado pelo placar, o sentimento era de vitória. Para o capitão, o resultado da partida tornou-se secundário diante do desfecho do incidente. “É maravilhoso ter contribuído para salvar uma vida. No fim das contas, isso foi o mais importante”, afirmou o jogador, que agora é carinhosamente chamado de “socorrista” pela imprensa local.
A lição do gramado
Este episódio levanta uma reflexão sobre o espírito esportivo e a conexão entre o ambiente urbano e a fauna silvestre. Istambul, uma metrópole cravada entre dois mares, é famosa por sua convivência próxima com gaivotas, gatos e cães comunitários. O gesto de Çatan não foi apenas um ato de primeiros socorros, mas um reflexo da cultura de cuidado com os animais que permeia a capital turca.
O vídeo, que já acumula milhões de visualizações, serve como um lembrete de que a empatia pode — e deve — encontrar espaço mesmo em ambientes competitivos. Em um mundo muitas vezes marcado pela agressividade no esporte, a imagem de um capitão ajoelhado no gramado tentando salvar um pássaro oferece um respiro de esperança.
cardíaca, pressionando ritmicamente sua caixa torácica, observado por seus companheiros de equipe e também por seus adversários.
“A primeira coisa que me veio à mente foi fazer uma massagem cardíaca, porque não conseguia respirar. Então, arrisquei”, disse Çatan à agência de notícias oficial Anadolu, acrescentando que não tem treinamento em primeiros socorros.
Quando a ave recuperou a respiração, foi retirada do campo pela equipe médica, que cuidou de sua asa ferida, disse Fatih Büyük.
O time de Gani Çatan perdeu o jogo, mas “é maravilhoso ter contribuído para salvar uma vida, isso foi o mais importante”, disse o “socorrista” à Anadolu.
Com informações da AFP