BERLIM, 16 FEV (ANSA) – O filme “Joaquim”, do diretor Marcelo Gomes, estreou nesta quinta-feira (16) no 67º Festival Internacional de Cinema de Berlim e seu elenco chamou a atenção internacional para a crise política do Brasil.
Na disputa pelo Urso de Ouro, Gomes fez um protesto contra o governo de Michel Temer durante uma conversa com a imprensa. O diretor leu uma carta em inglês, assinada por mais de 300 pessoas que atuam no setor audivisual e estavam presentes em Berlim.
” Estamos vivendo uma grave crise democrática no Brasil. Em quase um ano sob esse governo ilegítimo, direitos da educação, saúde, trabalhistas foram duramente atingidos. Junto com todos os outros setores, o audiovisual brasileiro, especialmente o autoral, corre sério risco de acabar”, diz o trecho inicial do texto.
O cineasta ainda pediu a colaboração de instituições, produtores e colegas de todo o mundo para apoiar a indústria brasileira e sua luta contra o projeto de “um governo ilegítimo surgido de uma crise inconstitucional de eliminar direitos conseguidos nos campos sindicais, na educação, saúde pública e sobretudo na cultura e no cinema”, acrescenta.
Além disso, Gomes destacou a necessidade de que o setor inclua vozes que reflitam a diversidade étnica, cultural, religiosa e de gênero do país. No texto, ele também pede que “qualquer mudança ou aperfeiçoamento nas políticas públicas do audiovisual brasileiro sejam amplamente debatidas com o conjunto do setor e com toda a sociedade”.
O protesto do diretor não foi o único. Desde o início do festival, que conta com 12 filmes brasileiros, outros discursos contra o governo foram realizados como na exibição dos filmes “Pendular”, de Julia Murat, e “Rifle”, de Davi Pretto.
O filme “Joaquim” é o único que tem participação na principal disputa da Berlinale. O longa retrata o período de conscientização política de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, e líder da Inconfidência Mineira.
Tiradentes é interpretado pelo ator paulistano Julio Machado. A história tem inicio com a imagem de sua cabeça espetada diante de uma igreja. Na sequência, o filme retrocede ao tempo em que o líder fazia suas expedições pelo interior de Minas Gerais, em busca de contrabandistas de ouro.
Em sua primeira exibição, o longa foi recebido com certa frieza pela plateia. A cerimônia de premiação do Festival de Berlim acontece no próximo sábado (18). (ANSA)