Edição nº2526 18/05 Ver edições anteriores

Joãogilbertocracia

Essa semana nasceu o terceiro filho do príncipe William e Catherine Middleton.

Importantíssima essa notícia.

Estava em todo canto.

A família real inglesa tem uma coisa mágica qualquer que faz com que seja adotada pelo mundo todo, já notou?

Não consigo entender a fascinação que a família real inglesa exerce sobre aqueles que não são seus súditos.

Veja, por exemplo, esse rebento.

O moleque é o quinto na linha sucessória.

Você e ele têm praticamente a mesma chance de se tornar rei da Inglaterra.

Mesmo assim, a foto dos três apareceu em tudo quanto foi jornal.

Na porta do hospital, acenando com aquela dignidade inglesa.

Vão acompanhar a vida do menino da primeira fralda ao último suspiro.

Não é como aqui que um candidato à Presidência aparece do nada, fala meia dúzia de bobagens e acaba eleito.

Mas a Monarquia não deu certo no Brasil.

E olha que tivemos dois reis no século passado.

O Roberto Carlos, o Pelé.

Isso sem contar o eterno Rei Momo, o mais adequado à palhaçada que é esse País.

Ao contrário do resto do mundo, nunca demos muita bola para as famílias reais.

Vai ver que porque as famílias reais aqui são irreais.

O filho do Pelé foi preso, lembram?

Pelo menos 5 vezes, coitado.

Coitado do pai, não do filho.

Membros da família real do Roberto Carlos só conheço aquela que virou nome de barco.

Dizem que foi o publicitário Carlito Maia, na década de 60, que inventou isso do Roberto Carlos ser rei.

Numa conversa de bar sobre política, desgostoso, teria dito ironicamente que o que o País precisava mesmo era de um rei.

Aí pronto. Levaram a sério e deu no que deu.

A mesma lenda conta que foi o próprio Carlito Maia quem cunhou o termo “Jovem Guarda”.

Uma piada interna na época da ditadura militar, pois a expressão se referia a uma frase atribuída a Lenin: o futuro do socialismo repousa nos ombros da Jovem Guarda.

Claro que milico nenhum entendeu, preocupados que estavam com outros assuntos, e o termo passou.

Curioso como nossa relação com a realeza está intimamente ligada à música.

Além do Rei Momo a herdeira do trono brasileiro, princesa Paola Orleans e Bragança, é DJ.

Uma princesa DJ é um tapa na cara do mundo inteiro.

Uma inequívoca prova de como somos um País moderno.

Eu seria um ótimo rei do Brasil.

Minha primeira decisão seria a volta da guilhotina.

A laser.

Já pensou que maravilha? Iria pessoalmente inaugurá-la, escolhendo um político qualquer por sorteio.

Seria no Allianz, com ingressos a preços populares.

Estou brincando para não precisar enxergar a verdade.

A de que o Brasil é a mais discreta Monarquia do mundo.

Nossos reis não têm trono, nem séquitos, nem Palácios.

Tem outros benefícios, muito mais práticos.

Foro privilegiado, auxílio moradia e não sei mais o que.

Somos uma Beneficiocracia.

E com aposentadoria precoce.

Tem rei juiz, rei deputado, rei senador, rei empresário.

Um País Pluribeneficiocrata.

Sobra para nós, a plebe rude, pagar os impostos.

Enquanto escrevo fico sabendo que mais um de nossos irmãos plebeus está sendo cruelmente sacrificado.

Em praça pública.

João Gilberto.

Com mais de 80 anos, sinais de Alzheimer e dificuldades financeiras, João perdeu mais uma apelação na Corte de nossa Beneficiocracia.

Não conheço os detalhes do processo. Mas importam?

Uma lenda viva que ironicamente mudou a história (justamente) da música não tem direito as concessões tão comuns para os nobres que não produzem patavina.

Não tem direito a foro privilegiado nem a benesses do Estado.

Isso que dá não ser amigo dos reis.

 


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