Jackson Pollock: A pintura que é muito mais que um monte de borrões

Jackson Pollock: A pintura que é muito mais que um monte de borrões

COMO FAZER UM POLLOCK Gustavo von Ha reencena fotografia de Pollock em ação

“Quero expressar meus sentimentos em vez de ilustrá-los”. Assim, Jackson Pollock descrevia seu trabalho artístico. Como pintor americano e grande expoente do Expressionismo Abstrato, focou sua obra na forma e na cor, ao invés de registrar objetos ou vistas como seus colegas da época.

Pollock e outros artistas contemporâneos são às vezes criticados fora do mundo da arte por criarem pinturas que, para os leigos, parecem borrões de crianças. Entendo que seja difícil para as pessoas verem o valor de algo tão abstrato, mas seu processo criativo é aplaudido pelo pioneirismo e por enfatizar sua expressão pessoal de uma maneira única.

Sempre gosto de lembrar que ele nasceu em 1912 e foi irreverente desde criança. Misturava abstração, emoção e movimentos rápidos para criar uma obra que impressiona, muito, até os dias de hoje. Jackson Pollock nasceu em Cody, no estado de Wyoming (Estados Unidos) e foi para San Diego (Califórnia) ainda menino. Foi expulso de uma escola secundária por indisciplina (Risos!) e se encontrou quando começou a estudar arte, primeiro na Manual Arts School (Los Angeles) e, depois, na Art Students League (Nova York).

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Ele misturou razão e emoção para fazer pinturas de “action painting”, que consistiam em espalhar pingos de tinta nas telas, de modo aleatório, movendo a tela e injetando energia na sua arte. A revista Time o chamou de “Jack, o Gotejador” por fazer sobreposição de muitas marcas com a técnica de “gotejamento”, jogando pingos em telas geralmente colocadas no chão de seu estúdio de East Hampton (Nova York).

Como os grandes mestres, descobriu sua técnica depois de muito estudo e treino. No seu caso, em 1936, ficou maravilhado com o uso de tinta líquida, em uma oficina experimental em Nova York promovida pelo muralista mexicano David Alfaro Siqueiros. A partir daquele momento, começou a fazer experiências com tintas líquidas, algo incomum e inusitado para aquela época. Pesquisou muito sobre pintura e aplicação em grandes superfícies (pouca gente sabe, mas ele pintou murais em prédios públicos por cinco anos em Nova Iorque). Colocou telas dispostas no chão e secou seus pinceis para que eles ficassem endurecidos. Usou varas, seringas e até mesmo latas de tinta furadas para conseguir efeitos diferentes nas telas. Com isso, criou um estilo único de pintar.

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À medida que traços foram ficando mais harmoniosos, Pollock começou a ficar muito famoso. Em 1951, abandonou a técnica do gotejamento e seus quadros passaram a apresentar cores mais escuras, incluindo uma coleção pintada em preto e branco. Essas pinturas foram chamadas de “vazamentos negros”. Testou tintas industriais, inclusive versões usadas na pintura de automóveis.

Ele foi um dos primeiros pintores americanos a ser reconhecido durante sua vida por seu trabalho e a ter relevância internacional como outros mestres europeus da arte moderna do século XX. Porém, sua saúde começou a atrapalhar seu trabalho em 1937, quando iniciou tratamento psiquiátrico para alcoolismo e sofreu um colapso nervoso, chegando a ser internado por cerca de quatro meses. Após essas ocorrências, seu trabalho sofreu uma mudança. Distanciou-se das telas violentamente expressionistas para produzir obras nas quais se observava uma certa influência do simbolismo junguiano e de Pablo Picasso.

Pollock era descrito por seus contemporâneos como gentil, inteligente e contemplativo quando estava sóbrio, e violento e mal humorado quando estava bêbado. Esses extremos encontraram equilíbrio em seu trabalho. Ele acreditava que a arte derivava do inconsciente, via a si mesmo como o sujeito essencial de sua pintura e julgava seu trabalho e o de outros por sua autenticidade inerente à expressão pessoal.

Apesar da dependência, continuou produzindo pinturas, sem parar.  Em 1943, teve a sorte de cair nas graças de Peggy Guggenheim, que o convidou para fazer sua primeira exposição em sua galeria Art of This Century (Nova York) . A propósito vale destacar que Peggy foi uma grande incentivadora do mundo artístico. Ela seguiu a tradição do tio, Salomon R. Guggenheim e fundador de um museu homônimo de Nova York, apoiando e adquirindo obras de dezenas artistas contemporâneos como Pablo Picasso, Georges Braque, Fernand Léger, Wassily Kandinsky, Paul Klee e Marc Chagall.

Seu primeiro grande trabalho foi produzido em 1944. “Mural” representava a descoberta de um estilo totalmente pessoal, no qual os métodos de composição de seu mestre Thomas Hart Benton e a invenção linear enérgica são fundidos com a associação livre surrealista de motivos e imagens inconscientes. A evolução de Pollock a partir deste ponto ao longo da década de 1940 mostra uma luta para encontrar um processo pelo qual ele pudesse traduzir toda a sua personalidade em suas pinturas.

Durante sua vida, Pollock gozou de fama e notoriedade consideráveis e, sem dúvida, ele foi um grande artista de sua geração. Durante a Guerra Fria, suas pinturas e de seus colegas expressionistas abstratos, como Mark Rothko , Franz Kline e Willem de Kooning , foram promovidas em exposições na Europa como emblemas da liberdade promovida pela democracia liberal. Apesar de ter seu trabalho ter reconhecimento internacional em diversas exposições, Pollock nunca saiu dos Estados Unidos.

Começou a pintar com mais calma em 1947, muitas vezes alternando dias de pintura com semanas de contemplação das obras durante seu processo de produção. O resultado foi um trabalho forte, impactante e com camadas sobrepostas, em diferentes trajetórias de esmalte ou tinta de alumínio. As pinturas, com áreas enormes cobertas por padrões lineares complexos que fundiam imagem e forma, envolvem espectador com suas escalas e complexidades.

Pollock criou a grande escala, integridade e simplicidade que se tornaram comuns a quase todos os bons trabalhos da arte contemporânea. As séries Full Fathom Five (1947), Lucifer (1947), Summertime (1948), Number Ten (1949), One (1950), Autumn Rhythm (1950) e Lavender Mist (1950) mostram uma infinidade de efeitos e expressões que Pollock alcançou com o método da pintura derramada. Outras obras importantes dessa fase são Echo (1951) e Number Seven (1952). Em 1952, voltou à escala de cor e mural em Convergence (1952) e Blue Pólos (1952). Embora sua produção tenha diminuído e sua saúde se deteriorado a partir de 1953, ele produziu trabalhos importantes como White Light (1954) e Scent (1955) em seus últimos anos de vida.

Seu relacionamento com sua esposa começou a degringolar em 1956, devido aos problemas recorrentes com alcoolismo e por causa de sua infidelidade. Com o agravamento do vício e com problemas no casamento por estar envolvido com Ruth Kligman, dirigiu alcoolizado e sofreu um grave acidente que lhe tirou a vida em agosto de 1956. Sua esposa, a influente pintora Lee Krasner, ajudou promover seu nome e seu trabalho após a sua morte e manteve seu legado doando  pinturas a importantes instituições como o MoMa (Museu de Arte Moderna de Nova York).

Jackson Pollock dizia que a pintura tem vida própria. Para ele, não importava como a tinta era aplicada, desde que tivesse algo a dizer. “Pintar é auto descobrimento. Todo bom artista pinta o que é”. Se tiver uma boa história para compartilhar, aguardo sugestões pelo Instagram Keka Consiglio, Facebook ou no Twitter.

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Sobre o autor

Keka Consiglio é artista plástica, jornalista e empresária do setor de comunicação. Apaixonada por arte desde criança quando começou a estudar o tema, entregou-se de vez a esse universo ao fazer cursos e visitar museus e exposições, tanto no Brasil como no exterior. Desenvolve uma arte livre, criativa, repleta de cores e de elementos baseados em temas cotidianos, tendo a sustentabilidade presente em todo o seu processo de criação. Curiosa e motivada por desafios, vive e trabalha em São Paulo, produzindo suas coleções a partir de dois estúdios. Instagram: @keka_consiglio_artista. Site: www.kekaconsiglio.com.br


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