Geral

‘Já passou da hora’, diz pai sobre vacina para crianças; médico perdeu filha de sete anos por complicações da Covid-19

Crédito: Arquivo pessoal

Rodolfo Aparecido da Silva é medico e fez um aviso sobre a liberação de vacinas contra a Covid-19 para crianças. O médico, que mora em Ribeirão Preto, no interior paulista, perdeu a filha Alicia, de 7 anos, em decorrência de uma síndrome gerada pela doença causada pelo novo coronavírus.

“Sábado [18 de dezembro] fez 11 meses que perdemos a Alicia. As pessoas têm uma ideia errônea de que criança não pega Covid. Como médico, eu digo que já passou da hora de liberar a vacinação para crianças. Teria evitado muitas mortes, inclusive a da minha filha”, diz Silva ao G1.


Apesar da autorização da vacina Pfizer para crianças de 5 a 11 anos na última semana, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, já disse que não tem pressa para iniciar o processo de imunização da faixa etária de crianças. De acordo com o membro do governo, a campanha de vacinação deve passar por um processo para que a pasta decida sobre o assunto.

“É muito importante que essa liberação ocorra logo. Só esse ano, o Brasil registrou mais de mil óbitos de crianças por conta da Covid e fico pensando se boa parte não poderia ter sido evitada. Eu tenho certeza que sim. Sigo defendendo a vacina como pai, mas principalmente, como médico e acredito que só com informação as pessoas vão entender a real necessidade [da aprovação de vacina para crianças]”, afirma Rodolfo, pai de Alicia.

O médico conta ainda que a filha não possuía problemas de saúde antes de ser infectada pelo novo coronavírus.

“Ela era saudável, não ficava doente. Uma vez por ano tinha uma dor de garanta, coisa de criança, nada de complicação, nenhuma cirurgia.”

A pequena Alicia da Rocha Novaes Silva foi diagnosticada com Covid-19 no começo de 2021. A doença gerou um processo inflamatório que desenvolveu uma síndrome rara na qual causa multissistêmica pediátrica (SIM-P). O problema pode ser detectado em crianças e adolescentes de 0 a 19 anos, que foram infectados pelo novo coronavírus.

A síndrome acomete crianças e adolescentes por conta de uma resposta do organismo à infecção gerada pela doença.

“Os anticorpos apresentam uma reação cruzada com partes do corpo da própria criança, o que gera uma reação inflamatória generalizada e pode atingir diversos órgãos do corpo simultaneamente”, explica o médico Marco Aurélio Guimarães, professor de medicina legal em Ribeirão Preto.

“Ela [Alicia] começou com lesões na pele. Uma febre baixa e, em dois dias, complicou com dor abdominal, vômito, aumentou o número de lesões pelo corpo, aí foi internada e veio a óbito”, relembra o pai.