Itamaraty se reúne com EUA após expulsão de delegado e Lula fala em reciprocidade

Marcelo Ivo foi expulso dos EUA na segunda-feira, uma semana depois da prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem

Divulgação
O delegado Marcelo Ivo de Carvalho Foto: Divulgação

Diplomatas do Ministério das Relações Exteriores se reuniram nesta terça-feira, 21, com a encarregada de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos (EUA), Kimberly Kelly, para tratar da expulsão do delegado Marcelo Ivo, da Polícia Federal (PF).

Segundo apurou o Estadão com um membro do Itamaraty, os representantes do governo brasileiro disseram na reunião que pode haver reciprocidade na medida – portanto, agentes americanos podem ser expulsos do País.

+ Quem é Marcelo Ivo, delegado da PF expulso dos EUA após prisão de Ramagem

Em nota, a Embaixada dos Estados Unidos confirmou o encontro, mas disse que não comenta “conversas diplomáticas privadas”. O Itamaraty também confirmou oficialmente a reunião.

Apesar do alerta feito na reunião, os diplomatas afirmaram que caberá ao presidente Lula tomar decisões sobre o tema quando regressar ao Brasil após a viagem à Europa.

Mais cedo nesta terça-feira, durante conversa com a imprensa em um hotel em Hannover, na Alemanha, Lula confirmou publicamente a possibilidade de expulsar membros do governo americano.

“Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa”, afirmou Lula. “Ou seja, nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas nós não podemos aceitar essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas personalidades americanas querem ter com relação ao Brasil.”

O delegado Marcelo Ivo atuava como oficial de ligação da PF brasileira em Miami desde agosto de 2023. Sua atuação era junto ao Departamento de Segurança Interna dos EUA, responsável por questões como imigração e terrorismo.

Porque o delegado foi expulso dos EUA

Os Estados Unidos acusaram o delegado brasileiro de “manipular” o sistema de imigração”, “contornar pedidos formais de extradição” e “estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos”.

A expulsão ocorreu na esteira do episódio que levou o Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (ICE) a prender e cogitar a deportação do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, que posteriormente foi solto.

Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, mas a sua prisão pelo ICE nos Estados Unidos ocorreu por causa de uma infração de trânsito. O ex-deputado fugiu do País em novembro do ano passado e desde então segue nos EUA.

Em nota oficial na época da prisão, a Polícia Federal alegou ter se tratado de uma cooperação policial internacional entre autoridades dos dois países. “A prisão decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA”, dizia a nota da Polícia Federal.

“O preso é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito”, complementou a PF sobre o episódio que, agora, acabou levando ao pedido de saída do país do delegado Marcelo Ivo.