CORTINA D’AMPEZZO, 13 FEV (ANSA) – A biatleta italiana Rebecca Passler, liberada para competir nas Olimpíadas de Inverno após ter sido suspensa provisoriamente devido a um exame antidoping, alegou ter sido contaminada ao dividir um pote de Nutella com a mãe.
Passler, 24 anos, testou positivo para a substância letrozol no fim de janeiro, o que a impediria de participar dos Jogos de Milão-Cortina, porém a Corte de Apelação da Organização Nacional Antidoping da Itália (Nado) acatou um recurso da atleta nesta sexta-feira (13) e derrubou o gancho.
Segundo a Federação Italiana de Esportes de Inverno (Fisi), o tribunal reconheceu a aparente plausibilidade da argumentação de Passler, que alega contaminação “involuntária”.
O texto da decisão da corte indica que a biatleta “consumia alimentos compartilhados em ambiente doméstico”, inclusive por meio de utensílios divididos entre seus familiares, como uma colher usada para pegar Nutella.
De acordo com uma consultora independente citada na sentença, Passler não teria conhecimento de que a mãe tomava letrozol para fins terapêuticos, e “o hábito consolidado de ambas comerem Nutella no café da manhã indica claramente a contaminação acidental por saliva” presente no creme de avelã compartilhado pela família.
Apesar disso, a Procuradoria Nacional Antidoping se manifestou contra o recurso, argumentando que as alegações de contaminação acidental são “hipóteses não corroboradas por nenhuma prova objetiva capaz de anular” a suspensão, porém o tribunal deu razão à biatleta.
O letrozol é proibido pela Agência Mundial Antidoping (Wada) por estar associado ao uso de esteroides anabolizantes e ao aumento da testosterona, uma vez que é um inibidor da aromatase, enzima que converte esse hormônio andrógeno em estradiol.
“Foram dias muito difíceis, mas sempre acreditei na minha boa fé. Agradeço a todos aqueles que me ajudaram, e agora posso finalmente voltar a me concentrar 100% no biatlo”, declarou Passler, que se juntará à equipe italiana na próxima segunda-feira (16).
Quando ela for reintegrada, faltarão duas provas no programa feminino do biatlo: revezamento 4 x 6 quilômetros, em 18 de fevereiro, e 12,5 quilômetros com largada em massa, no dia 21, mas sua participação dependerá do comando técnico do time azzurro.
Passler tem 24 anos e participa das Olimpíadas de Inverno pela primeira vez. Ela é sobrinha de Johann Passler, dono de duas medalhas olímpicas de bronze no biatlo, modalidade que une esqui cross-country e tiro esportivo. (ANSA).