ALESSANDRIA, 19 FEV (ANSA) – A Itália voltou a falar sobre o escritor e pensador Umberto Eco nesta quinta-feira (19), depois de cumprir a “cláusula de silêncio” de dez anos imposta por ele em testamento. Tido como um dos maiores intelectuais do mundo, ele é autor dos sucessos literários “O nome da Rosa” e “O pêndulo de Foucault”.
A cidade de Alessandria, no Piemonte, onde Eco nasceu em 5 de janeiro de 1932, abriu hoje o calendário das iniciativas previstas para o ano para celebrar seu legado.
Para começar, o município organizou uma transmissão ao vivo no Youtube, a “Eco Eco Eco – World-Wide Talk”, com duração de 24 horas. Nela, o público poderá interagir com grandes nomes da cultura internacional a partir da obra do escritor, que em seu testamento, determinou uma “cláusula de silêncio”: que não se falasse sobre ele durante uma década após sua morte.
“Eco sempre reconheceu em suas origens em Alessandria uma fonte decisiva de seu estilo intelectual”, afirmou o prefeito Giorgio Abonante, acrescentando: “Aquele ceticismo, aquela ironia, aquela atitude crítica, desencantada e analítica que marcaram toda a sua obra, da semiótica aos romances, da crítica de mídia às falsificações”.
Como observador irônico e semiologista perspicaz e criativo, Eco demonstrou sua capacidade de captar o espírito da época.
“Gerar um texto significa implementar uma estratégia que inclui a previsão dos movimentos de outras pessoas”, escreveu o intelectual em “Lector in fabula” (1979), ao comentar a relação entre leitor e autor.
Em 1980, ele publicou “O Nome da Rosa”, que alcançou aclamação internacional e se tornou um best-seller com mais de 12 milhões de exemplares vendidos.
Além de romances de sucesso, Eco também assinou diversos ensaios de semiótica, estética medieval, linguística e filosofia.
Outras de suas obras famosas são “A Ilha do Dia Anterior” (1994); “Baudolino” (2001), “A Chama Misteriosa da Rainha Loana” (2004) e “O Cemitério de Praga” (2010).
Eco faleceu em 19 de fevereiro de 2016, aos 84 anos. (ANSA).