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Itália vai às urnas: o que está em jogo?

SÃO PAULO, 18 SET (ANSA) – Após a reabertura das escolas, na última segunda-feira (14), a Itália terá nos dias 20 e 21 de setembro mais um teste em seu desafio de convivência com o novo coronavírus.   

Pouco mais de 50 milhões de italianos serão chamados às urnas para votar em um referendo que pode reduzir em um terço o número de deputados e senadores, com as pesquisas apontando para uma ampla vitória do “sim” à reforma constitucional.   

Além disso, sete das 20 regiões do país (incluindo Campânia, Toscana e Vêneto) e quase mil cidades (como as capitais regionais Aosta, Trento e Veneza) elegerão novos governadores e prefeitos, bem como renovarão suas assembleias legislativas.   

Tradicionalmente, as eleições na Itália acontecem apenas no domingo, mas o governo decidiu estender a votação até 15h (horário local) de segunda-feira (21) para evitar aglomerações nos colégios eleitorais.   

Em tempos de pandemia, os italianos terão de usar máscara e higienizar as mãos antes de depositar seus votos nas urnas. As autoridades ainda pedem que pessoas com febre superior a 37,5º, sintomas respiratórios ou que estejam em quarentena não saiam de casa.   

Serão montados colégios eleitorais em hospitais com pacientes da Covid-19, e cidadãos que cumprem isolamento domiciliar terão seu voto recolhido em casa.   

Redução do Parlamento – O referendo de 20 e 21 de setembro será o quarto na história da República Italiana e acontece quase quatro anos depois de a população ter rejeitado uma reforma do então premiê Matteo Renzi que, na prática, extinguia os poderes do Senado.   

Dessa vez, no entanto, as pesquisas apontam para uma ampla vitória do “sim” ao projeto que reduz o número de deputados de 630 para 400 e o de senadores de 315 para 200 (sem contar os cinco vitalícios). A medida também corta a quantidade de parlamentares italianos eleitos no exterior de 18 (12 deputados e seis senadores) para 12 (oito deputados e quatro senadores).   

Não existe quórum mínimo, então o resultado do referendo será confirmado independentemente do tamanho da participação popular.   

A reforma constitucional já foi aprovada no Parlamento e conta com apoio de todos os principais partidos da Itália, uma vez que a tramitação começou durante a coalizão entre o antissistema Movimento 5 Estrelas e a ultranacionalista Liga, mas terminou depois de o centro-esquerdista Partido Democrático (PD) ter substituído a extrema direita na aliança de governo com o M5S.   

Os argumentos a favor do “sim” têm grande apelo popular: reduzir os custos da política (a economia é estimada em 100 milhões de euros por ano), tornar o Parlamento mais eficiente e adaptá-lo a uma nova era na qual as regiões também têm amplo poder legislativo e o arcabouço normativo da União Europeia ganha força.   

No entanto, existem grupos que defendem o “não”, especialmente pequenos partidos como o Esquerda Italiana e o libertário Radicais. O movimento das Sardinhas, que tomou as ruas do país antes da pandemia para fazer frente ao avanço da extrema direita, também é contra a reforma.   

Os argumentos são de que a redução no número de deputados e senadores pode comprometer a representatividade popular no Parlamento e beneficiar os grandes partidos, bem como as regiões mais populosas.   

Além disso, os adeptos do “não” defendem que o benefício financeiro não compensa os supostos riscos à democracia: se a economia com o corte dos parlamentares for de 100 milhões de euros por ano, isso significará 1,65 euro por cada habitante da Itália.   

Eleições regionais – Os italianos também aguardam com atenção os resultados das eleições nas sete regiões que vão às urnas, especialmente para avaliar a força da Liga, partido do ex-ministro do Interior Matteo Salvini.   

Com uma vitória praticamente certa no Vêneto, com o governador Luca Zaia, a legenda aposta suas fichas sobretudo na Toscana, tida como um bastião “vermelho” na Itália e governada pela centro-esquerda desde sua instituição, em 1970.   

As pesquisas, para surpresa de muitos, apontam o candidato de centro-esquerda Eugenio Giani com vantagem mínima sobre a eurodeputada Susanna Ceccardi, pupila de Salvini. Além de inédita, uma eventual vitória da extrema direita na Toscana daria novo impulso à Liga, que não conseguiu conquistar a Emilia-Romagna, outra fortaleza “vermelha” na Itália, no início do ano.   

Mas a Toscana não é o único prêmio cobiçado por Salvini: a coalizão liderada pelo ex-ministro, que ainda inclui o moderado Força Itália (FI) e o extremista Irmãos da Itália (FdI), também mira Campânia, Puglia e Marcas, todas elas governadas pelo PD, que é favorito apenas na primeira.   

A aliança conservadora ainda tem ampla vantagem na Ligúria, com o governador Giovanni Toti, enquanto a disputa no Vale de Aosta é protagonizada por partidos locais e ligados à minoria de língua francesa.   

Dependendo dos resultados, a centro-esquerda, que até março de 2018 governava 14 das 20 das regiões italianas, pode ficar com apenas três, considerando uma provável vitória na Campânia, o Lazio e a Emilia-Romagna, que não participam das eleições de 20 e 21 de setembro. (ANSA).   

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