“Itália registra onda de feminicídios após Ferragosto”

Seis mulheres foram assassinadas por parceiros ou ex-companheiros desde o feriado de 15 de agosto, evidenciando a persistência da violência de gênero no país europeu

"Itália registra onda de feminicídios após Ferragosto"

A Itália enfrenta uma nova e alarmante onda de feminicídios, com seis mulheres brutalmente assassinadas por parceiros ou ex-companheiros desde o Ferragosto, principal feriado de verão no país, celebrado em 15 de agosto. Os crimes, que chocaram a nação, ocorreram em diversas regiões, de Cosenza, na Calábria, a Cagliari, na Sardenha, evidenciando a persistência e a gravidade da violência de gênero.

  • Uma onda de feminicídios na Itália resultou em seis mulheres mortas por companheiros ou ex-parceiros desde o feriado de Ferragosto.
  • Os casos envolvem diferentes idades e circunstâncias, com as vítimas sendo agredidas, esfaqueadas ou baleadas, muitas vezes por agressores com histórico de violência.
  • A série de crimes reacende o debate sobre a eficácia das leis de proteção e a necessidade de medidas mais rigorosas contra a violência doméstica no país.

Os casos mais recentes foram registrados nesta terça-feira, 18 de agosto. Em um dos episódios, uma mulher de 72 anos teria sido morta a pedradas pelo próprio marido, de 74, em um campo nos arredores de Cosenza, na Calábria. No mesmo dia, uma polonesa de 50 anos foi esfaqueada pelo esposo tunisiano, de 69, em Colleferro, ao sul de Roma, evidenciando a brutalidade dos ataques.

Na segunda-feira, 17 de agosto, Tania Terrin, de 39 anos, foi assassinada pelo ex-marido Dino Keber, de 43, na província de Veneza. A vítima já havia denunciado Keber várias vezes por violência doméstica. As investigações revelaram que o homem possuía um histórico de denúncias de outras três mulheres desde 2002. Após o crime, Keber se suicidou, encerrando de forma trágica uma longa trajetória de agressões.

A escalada da violência de gênero na Itália

A sequência de crimes se estende ao próprio dia de Ferragosto, quando Faustino Cardillo, de 76 anos, assassinou sua esposa da mesma idade, Maria D”Alessandro, a facadas na província de Benevento. O crime ocorreu após uma discussão acalorada entre o casal, que culminou em mais uma vida ceifada pela violência doméstica.

Já na madrugada seguinte, Ornella Forastefano, de 46 anos, morreu após ser agredida e largada na porta de um hospital em Trebisacce. O marido dela, o albanês Elvis Metvelaj, de 42 anos, é o único suspeito do feminicídio e foi preso pela polícia enquanto tentava fugir para seu país de origem, ressaltando a urgência da intervenção policial e judicial.

Além desses casos, na manhã de 17 de agosto, Michela Rubiu, de 47 anos, faleceu após 25 dias internada em um hospital de Cagliari. Ela havia sido levada em estado grave depois de ser baleada na cabeça pelo marido, Alessandro Pintus, de 39, que confessou o crime. A gravidade dos ferimentos de Michela ressalta a intenção assassina dos agressores.

Qual o cenário da legislação sobre feminicídio?

A Itália tipificou o feminicídio no Código Penal em dezembro de 2013, introduzindo a pena de prisão perpétua para assassinatos de mulheres motivados por ódio e discriminação de gênero ou com o objetivo de suprimir a liberdade da vítima. Anteriormente, esses delitos eram tratados pela Justiça como homicídio comum, passível de prisão perpétua, mas também com penas menores, o que dificultava o reconhecimento da especificidade e gravidade dos crimes de gênero. A legislação visa coibir tais atos, mas a recente onda de crimes demonstra que o caminho para erradicar a violência ainda é longo.

Da IstoÉ com ANSA.