A Itália propõe a criação de centros de triagem para migrantes forçados fora do bloco da União Europeia, replicando o modelo já em vigor com a Albânia. A proposta será apresentada nesta terça-feira, 4 de agosto, durante uma reunião emergencial dos ministros do Interior da UE, convocada em resposta à recente crise migratória no exclave espanhol de Ceuta.
O encontro ocorre após a chegada de dezenas de milhares de pessoas a Ceuta na semana passada, uma crise que levou o governo da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, a suspender temporariamente o Acordo de Schengen com a Espanha por um mês.
O que aconteceu
- A Itália propõe a criação de centros de triagem de migrantes em países fora da União Europeia.
- A iniciativa surge após a crise migratória em Ceuta, que fez a Itália suspender o Acordo de Schengen com a Espanha.
- Uma lista preliminar de países africanos, europeus e asiáticos para sediar as instalações já está sendo discutida.
Na reunião, o ministro italiano do Interior, Matteo Piantedosi, detalhará a proposta de estabelecer centros para acomodar migrantes em situação irregular em nações extracomunitárias, com o financiamento garantido pela própria União Europeia.
Quais países podem sediar os centros de triagem?
Fontes próximas às discussões indicam que já existe uma lista preliminar de países considerados para receber essas instalações. Entre eles estão Gana, Egito, Etiópia, Líbia, Mauritânia, Ruanda, Senegal, Tunísia e Uganda, no continente africano. Na Europa, Montenegro figura na lista, enquanto Armênia e Uzbequistão são as opções consideradas na Ásia.
A Itália já possui uma parceria semelhante com a Albânia, para onde envia migrantes forçados que chegam ao seu litoral após travessias clandestinas pelo Mar Mediterrâneo. Este acordo, embora questionado anteriormente na Justiça italiana, ganhou respaldo após a aprovação de uma legislação pelo Parlamento Europeu no início do ano, abrindo caminho para a extensão dessa política a outros membros do bloco.
Acordo Itália-Albânia como modelo para o bloco europeu?
Piantedosi também deverá exigir a aplicação rigorosa do programa “GSP+”, que vincula benefícios tarifários concedidos pela UE a países em desenvolvimento à cooperação na repatriação de seus cidadãos em situação irregular.
Em paralelo, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, voltou a criticar Roma nesta segunda-feira, 2 de agosto, pela postura italiana diante da crise em Ceuta. “Houve governos que não estiveram à altura da situação, e o italiano foi um deles”, declarou o chanceler à emissora TVE.