Itália pede prisão de mulher acusada de extorquir Berlusconi

Ministério Público solicita pena de três anos e seis meses para Giovanna Rigato, acusada de exigir 1 milhão de euros do ex-premiê; defesa pede absolvição

Imagem de Berlusconi arquivos IstoÉ
Foto: Imagem de Berlusconi arquivos IstoÉ

O Ministério Público de Monza, na Itália, pediu nesta terça-feira, 13 de outubro, a condenação de Giovanna Rigato a três anos e seis meses de prisão por uma acusação de tentativa de extorsão contra o ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, morto em junho de 2023.

Segundo a acusação, Rigato teria exigido 1 milhão de euros do ex-premiê e ameaçado fazer declarações aos magistrados que poderiam prejudicar sua imagem caso o pagamento não fosse realizado.

A defesa contesta a acusação e sustenta que a conduta atribuída à ré não constitui crime de extorsão. O julgamento ainda está em andamento, e não há decisão definitiva sobre o caso.

Defesa de Giovanna Rigato pede absolvição

Durante a audiência realizada em Monza, o advogado Stefano Gerunda solicitou a absolvição de sua cliente.

Segundo ele, Rigato não tinha a intenção de extorquir Berlusconi, mas acreditava possuir direito a uma compensação financeira por prejuízos pessoais e profissionais que atribui à repercussão de sua ligação com o ex-premiê.

O defensor também pediu, alternativamente, que os fatos fossem enquadrados como exercício arbitrário das próprias razões, uma classificação jurídica diferente da tentativa de extorsão.

De acordo com a argumentação apresentada por Gerunda, essa eventual reclassificação poderia levar ao reconhecimento da prescrição do delito.

A tese é defendida pela representação de Rigato e ainda depende de avaliação da Justiça italiana.

Relação com os chamados ‘jantares de Arcore’

A controvérsia envolve a repercussão dos chamados “jantares de Arcore”, encontros realizados no círculo de Silvio Berlusconi que ganharam destaque na imprensa italiana.

Rigato foi associada às mulheres frequentemente chamadas de “Olgettine”, expressão utilizada para se referir a participantes das festas do ex-primeiro-ministro.

Segundo a defesa, essa exposição prejudicou a reputação da acusada e comprometeu sua carreira na televisão.

O advogado afirmou que Rigato teria perdido o emprego e deixado de receber convites para participar de programas televisivos após a divulgação de seu nome em notícias relacionadas ao caso.

A defesa também mencionou que ela apresentou queixas por difamação, posteriormente arquivadas.

Essas alegações integram a estratégia de defesa e não representam conclusões já reconhecidas pela Justiça no processo atual.

Advogado afirma que Rigato esperava apoio financeiro

Gerunda sustentou ainda que sua cliente se sentiu desamparada e enganada em relação a um apoio que, segundo ela, Berlusconi teria prometido.

Na interpretação apresentada pelo advogado, Rigato passou a considerar que tinha direito a uma reparação pelos danos que afirmava ter sofrido.

A defesa argumenta que essa percepção explicaria a cobrança de dinheiro sem caracterizar, necessariamente, a intenção de praticar extorsão.

O Ministério Público, por outro lado, entende que a suposta exigência de pagamento, acompanhada da ameaça de declarações prejudiciais ao ex-premiê, configura tentativa de extorsão.

Caberá à Justiça avaliar as provas e os argumentos apresentados pelas partes.

Caso remete ao processo Ruby

A história também está relacionada à repercussão do chamado processo Ruby, que envolveu Silvio Berlusconi e acusações de prostituição de menores e abuso de poder.

Berlusconi foi absolvido dessas acusações.

O episódio teve grande repercussão na política e na imprensa italianas, incluindo a divulgação de informações sobre pessoas que frequentavam encontros associados ao então primeiro-ministro.

No processo atual, a defesa de Rigato afirma que a exposição pública decorrente desse contexto trouxe consequências para sua vida profissional.

Julgamento será retomado em novembro

Os cinco filhos de Silvio Berlusconi participam do processo como partes civis.

A próxima audiência está marcada para 18 de novembro, quando estão previstas as alegações de réplica.

Até lá, permanece pendente a decisão judicial sobre o pedido de condenação formulado pelo Ministério Público e sobre as solicitações apresentadas pela defesa.

Silvio Berlusconi morreu em junho de 2023. O processo prossegue na Justiça italiana, com a participação de seus herdeiros na condição de partes civis.

Da IstoÉ e Ansa