Itália pede empréstimo de €8 bilhões à UE para defesa

Solicitação de 8 bilhões de euros pelo programa Safe visa fortalecer capacidade militar em meio a debates internos e críticas da oposição

Itália pede empréstimo de €8 bilhões à UE para defesa

A Itália formalizou um pedido de empréstimo de 8 bilhões de euros à Comissão Europeia, em Bruxelas, visando investimentos em defesa e segurança. A solicitação, confirmada nesta quarta-feira (26) por um funcionário de alto escalão da capital belga, busca utilizar recursos do programa “Ação de Segurança para a Europa” (Safe), uma iniciativa da União Europeia para rearmamento.

A Itália pede empréstimo de 8 bilhões de euros à Comissão Europeia para fortalecer seus projetos de defesa e segurança.

  • O financiamento faz parte do programa Safe da União Europeia, criado em 2025 para impulsionar a aquisição conjunta de armamentos pelos Estados-membros.
  • A iniciativa, que busca um terço do valor total disponível para o país, provocou intensos debates internos no governo italiano e críticas da oposição.

A soma solicitada pela Itália equivale a aproximadamente 54% dos 14,9 bilhões de euros (R$ 89,5 bilhões) que haviam sido originalmente reservados para o país no âmbito do programa. O Safe foi criado pela UE em 2025 e busca facilitar a aquisição conjunta de armamentos e equipamentos militares pelos Estados-membros, como parte da estratégia de rearmamento implementada pelo bloco após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

A iniciativa prevê a disponibilização de até 150 bilhões de euros em empréstimos subsidiados de longo prazo aos países. Para ter acesso aos recursos, os Estados-membros devem comprar equipamentos que contenham pelo menos 65% de componentes europeus.

Debate interno agita governo Meloni

O uso do Safe tem sido tema de discussões intensas na base aliada da premiê da Itália, Giorgia Meloni, ao longo das últimas semanas. Em julho, o vice-premiê e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, sugeriu que Roma utilizaria os 14,9 bilhões de euros reservados ao país. Posteriormente, Tajani esclareceu que este era apenas o valor máximo disponível, não um compromisso imediato.

Por outro lado, o também vice-premiê e ministro da Infraestrutura e dos Transportes, Matteo Salvini, manifestou-se contra o aumento dos gastos militares. A Comissão Europeia, por sua vez, pressionava a Itália a decidir rapidamente sobre o tamanho da quantia pedida, a fim de redistribuir aos outros Estados-membros eventuais recursos não utilizados por Roma.

Quais os impactos para a Itália e a UE?

A elevação das despesas com defesa, no entanto, é alvo de críticas da oposição. “Ficamos sabendo que o governo Meloni enviou um pedido formal a Bruxelas para acessar um financiamento de 8 bilhões de euros no âmbito do programa Safe. Para armas, sempre encontram bilhões, mas os mesmos recursos não são encontrados para a saúde, o bem-estar social e os jovens”, disse o deputado de esquerda Angelo Bonelli.

No início de agosto, o ministro italiano da Economia, Giancarlo Giorgetti, já havia antecipado que o governo pediria autorização da UE para um déficit extra de até 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) ao longo de três anos para financiar gastos militares e energéticos.

Da IstoÉ com ANSA