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Itália não aceita interferências na Líbia, diz Di Maio

ROMA, 14 FEV (ANSA) – O ministro das Relações Exteriores da Itália, Luigi Di Maio, viajou a Bengasi nesta quinta-feira (13) para se reunir com o marechal Khalifa Haftar, um dos protagonistas da guerra de milícias na Líbia.   

Durante o encontro, o chanceler disse que Roma “não aceita nenhuma interferência externa” no país africano e que as partes envolvidas no conflito precisam trabalhar por um “cessar-fogo permanente”.   

“O povo da Líbia quer respostas, e a resposta não pode ser militar, não pode ser as armas ou os bombardeios. O caminho a ser seguido é o da diplomacia”, escreveu Di Maio no Facebook. Um dia antes, o ministro havia se reunido em Trípoli com o chefe do governo de união nacional, Fayez al-Sarraj, que é apoiado pela Itália.   

A Líbia se fragmentou politicamente após a queda de Muammar Kadafi, em 2011, e desde então é palco de conflitos entre milícias. De um lado está o governo guiado por Sarraj, que é apoiado pelos grupos armados de Trípoli e Misurata. O premier também é reconhecido pelas Nações Unidas (ONU) e pela União Europeia e conta com suporte militar da Turquia.   

Do outro lado está Haftar, que chefia o Exército Nacional Líbio, um conjunto de milícias fiel a um parlamento paralelo estabelecido em Tobruk, no leste do país. O marechal tem apoio declarado do Egito e dos Emirados Árabes Unidos, além da simpatia de França e Rússia.   

Haftar se considera inimigo do Islã político e não reconhece a legitimidade do governo Sarraj – instituído por uma conferência de paz no Marrocos, em 2015. Suas forças controlam a maior parte da Líbia, principalmente o leste e o desértico sul, e iniciaram uma ofensiva em abril passado para conquistar Trípoli.   

Uma frágil trégua provisória entre os dois lados está em vigor desde 12 de janeiro, mas a comunidade internacional pressiona por um cessar-fogo permanente. No dia em que Di Maio viajou a Bengasi, as forças de Haftar bombardearam o Aeroporto de Mitiga, o único ainda em funcionamento em Trípoli.   

O marechal também impôs um bloqueio às exportações de petróleo na região da Cirenaica, na costa oriental da Líbia, o que afetou a extração no sul do país, inclusive em campos da empresa italiana ENI, que reduziu a produção de 300 mil para 160 mil barris por dia. (ANSA)