Itália minimiza presença do ICE durante Olimpíadas de 2026

BRUXELAS, 29 JAN (ANSA) – O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou que não há motivos para “alarmismos” sobre a presença de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) no país durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão e Cortina d’Ampezzo.   

Segundo o chanceler, a agência americana deverá enviar no máximo três integrantes, que permanecerão no consulado dos EUA em Milão, capital da região da Lombardia, com a função de fornecer informações às autoridades italianas. Tajani ressaltou ainda que os carabineiros e a Guarda de Finanças serão os responsáveis por garantir a ordem pública durante o megaevento esportivo.   

“Não há motivo para alarmismos. Quando eventos de grande escala como esses acontecem, é natural que os países enviem seus próprios agentes para colaborar com a segurança. Eles não irão às ruas em trajes de combate; não há perigo para a democracia”, garantiu.   

Sobre o tema, o vice-premiê e ministro da Infraestrutura, Matteo Salvini, declarou que os agentes do ICE permanecerão em uma sala de operações e, assim como Tajani, negou que eles vão circular pelas ruas das cidades italianas. Já a ministra do Turismo, Daniela Santanchè, optou por não se pronunciar sobre a polêmica envolvendo a agência americana.   

Em contrapartida, o secretário de Grandes Eventos, Esportes, Turismo e Moda de Roma, Alessandro Onorato, classificou a presença do ICE na Itália como “uma provocação repugnante” e afirmou ter ficado “horrorizado” com as recentes imagens de operações divulgadas.   

Partidos de oposição, sindicatos e associações de esquerda organizarão uma manifestação para o próximo sábado (31), em Milão, contra a presença de membros do ICE durante os Jogos Olímpicos. O prefeito da cidade, Giuseppe Sala, afirmou que não participará do ato devido a compromissos previstos em sua agenda.   

“Pelo menos isso, se for esse o caso. Mas, repito, não quero voltar a esse assunto. A ideia dessa milícia em nosso território não me agrada”, declarou Sala, após a embaixada dos Estados Unidos afirmar que os agentes terão apenas funções de inteligência.   

As ações violentas atribuídas ao ICE, que, além de detenções, resultaram na morte de duas pessoas, têm provocado uma série de protestos em Minnesota e em outros estados americanos contra a política anti-imigração do presidente Donald Trump. (ANSA).