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Itália exigirá mudanças em regras orçamentárias da UE

ROMA, 12 JUN (ANSA) – O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, disse estar “otimista” para resolver o problema do endividamento público, mas ressaltou que o governo apoia mudanças nas regras orçamentárias da União Europeia (UE) e tem pretensões de assumir uma secretaria econômica dentro do bloco.   

“Quase preparei um rascunho da carta que enviarei às instituições europeias, a qual será tornada pública e será a ocasião para ressaltar como, de um lado, queremos respeitar o pacto de estabilidade e crescimento, e consideramos que nossa previsão orçamentária está em linha. Mas, de outro lado, queremos não deixar de oferecer uma contribuição crítica às regras da UE. É o momento de enfrentar e atualizar as regras europeias”, disse Conte, que nesta quarta-feira (12) concedeu uma entrevista exclusiva à ANSA, transmitida ao vivo via redes sociais. “Para nós, interessa um percurso a longo prazo. Estamos prontos a confrontar Bruxelas e estamos muito confiantes de fornecer as respostas que esperam”, destacou o premier.   

Nos últimos dias, Conte manteve reuniões com os vices Luigi di Maio, do Movimento 5 Estrelas (M5S), e Matteo Salvini, da Liga Norte, para encontrar uma solução para o problema do endividamento público da Itália, que passa de 130% do Produto Interno Bruto (PIB). A UE ameaça abrir um procedimento de infração contra a Itália pela dívida excessiva, alegando que o país não respeitou as normas fiscais do bloco para os anos de 2018, 2019 e 2020.   

Caso aprovada pelos ministros europeus de Finanças, a infração pode resultar em multas bilionárias à Itália. De acordo com o Pacto de Estabilidade de Maastricht da União Europeia, só é permitida uma dívida total de 60% do PIB e um endividamento adicional de 3% por ano. Caso ultrapasse esses limites, o país-membro deve adotar estratégias contrárias de longo prazo, a fim de reduzir o endividamento. No entanto, o débito italiano é o quarto maior do mundo em termos relativos e o segundo maior na área da moeda comum, atrás apenas da Grécia.   

Semanas após as eleições ao Parlamento Europeu, nas quais a Liga Norte de Salvini foi o partido mais votado na Itália, Conte anunciou que o país lutará pela direção de uma secretária europeia ligada à área econômica.   

“Nós reivindicamos uma posição de primeiro plano, uma pasta econômica. Não pedirei, por razões de elegância, a Secretaria de Assuntos Econômicos, em um momento em que se debate o procedimento de infração [contra a Itália]. Mas uma outra pasta econômica consistente nós reivindicaremos”, afirmou. (ANSA)