ROMA, 15 JAN (ANSA) – O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, indicou nesta quinta-feira (15) que o país não deve enviar militares para a Groenlândia, ilha no Ártico pertencente à Dinamarca e que é cobiçada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A declaração chega na esteira do deslocamento de soldados ao território por parte de Alemanha, França, Suécia e Noruega, de modo a reforçar a segurança no Ártico e dissuadir Trump de seus planos para anexar a ilha.
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“Amanhã [16] apresentaremos o projeto da Itália para o Ártico, que é fundamental. Faremos a nossa parte, mas a estratégia não prevê a presença de militares”, disse Tajani à margem de uma sessão da Câmara dos Deputados, em Roma.
O chanceler ainda afirmou não acreditar na possibilidade de uma intervenção militar de Trump na Groenlândia e pediu “diálogo” entre EUA e Dinamarca. “Com o Canadá também parecia haver uma fratura incurável, mas precisamos levar em conta que estamos todos na Otan, e acho que é possível encontrar uma solução com diálogo”, afirmou.
O presidente americano tem usado uma alegada presença militar de China e Rússia no Ártico para justificar os planos de anexar a Groenlândia, o que fez países europeus deslocarem contingentes para reforçar a segurança na ilha.
Cerca de 15 soldados franceses já chegaram em Nuuk, principal município groenlandês, enquanto a Rússia disse estar “preocupada” com as atividades dos membros da Otan no Ártico.
“Em vez de um trabalho construtivo no âmbito das instituições especializadas existentes, principalmente o Conselho do Ártico, a Otan embarcou num caminho de militarização acelerada do Norte, aumentando a sua presença militar sob o falso pretexto de uma crescente ameaça de Moscou e Pequim”, afirmou a Embaixada da Rússia na Bélgica, onde fica a sede da aliança militar euro-atlântica.
“A Rússia mantém consistentemente sua posição de que o Ártico deve permanecer um território de paz, diálogo e cooperação igualitária. Isso é especialmente importante em vista das mudanças climáticas, do derretimento do gelo, da crescente importância estratégica da região e das oportunidades emergentes para o desenvolvimento de rotas de transporte e exploração sustentável de recursos”, acrescentou. (ANSA).