Itália critica Espanha por “inaceitáveis” controles de fronteira, diz Tajani

Ministro Antonio Tajani defende medidas italianas até 15 de agosto e alerta para riscos de terrorismo e imigração ilegal, após suspensão do espaço Schengen

Itália critica Espanha por "inaceitáveis" controles de fronteira, diz Tajani

A Itália critica a Espanha por impor medidas de controle de fronteira. O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, classificou como “incompreensível e totalmente inaceitável” a decisão espanhola, adotada em resposta à suspensão temporária das regras de livre circulação do espaço Schengen por Roma.

Em entrevista ao jornal La Stampa, publicada neste domingo, Tajani afirmou que a Itália manterá a medida, por enquanto, até 15 de agosto, devido a alertas de inteligência sobre a possibilidade de uma nova onda migratória.

  • Os controles de fronteira da Espanha são classificados como “inaceitáveis” pela Itália.
  • O chanceler italiano Antonio Tajani defende a manutenção das medidas de Roma até 15 de agosto, citando riscos de terrorismo e imigração ilegal.
  • A suspensão do espaço Schengen pela Itália foi motivada pela crise migratória em Ceuta, com Tajani criticando a retaliação espanhola.

“Os riscos de terrorismo e imigração ilegal não podem ser subestimados. Por isso, até 15 de agosto, a Itália não pode alterar sua decisão”, declarou o ministro Antonio Tajani. Segundo ele, assim que a situação voltar à normalidade, Roma estará pronta para restabelecer as regras anteriores do espaço Schengen.

Por que a Itália suspendeu Schengen?

Tajani explicou que a suspensão do regime de Schengen foi adotada após os acontecimentos em Ceuta, território espanhol no norte da África. “Suspendemos o espaço Schengen, conforme exigido pelos Tratados, porque algo extraordinário aconteceu em Ceuta”, disse o chanceler.

O ministro italiano ressaltou que foi o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, “quem dramatizou isso” e exagerou na reação, criticando especialmente a decisão de Madri de responder à iniciativa. Para ele, “não se suspende Schengen simplesmente por retaliação, sem um motivo válido, prejudicando assim o turismo”.

Quais os riscos da política migratória espanhola?

O chefe da diplomacia italiana também questionou a capacidade da Espanha de controlar os fluxos migratórios e criticou políticas recentes de regularização de imigrantes adotadas pelo governo do país vizinho. Segundo Tajani, essas medidas poderiam transmitir uma “mensagem negativa” e aumentar os riscos para a segurança europeia: “Parece-me que essa preocupação é compartilhada em toda a Europa”.

Ele afirmou ainda que a Itália seria particularmente vulnerável a novos fluxos migratórios por sua posição geográfica. “Para onde vão depois de chegarem à Espanha? A Itália, como destino, é o país mais vulnerável. Não somos a Alemanha nem a Noruega”, declarou.

Tajani também relacionou a questão migratória ao risco de terrorismo, afirmando que a chegada de pessoas provenientes da África subsaariana representaria uma ameaça jihadista. Além disso, citou prisões realizadas pela polícia espanhola envolvendo indivíduos suspeitos.

Solidariedade europeia em debate

Apesar das críticas, Tajani reiterou que a intenção italiana não é manter os controles de forma permanente e declarou que seu país não é contra a Espanha, mas tem o dever de proteger suas fronteiras. “É necessário restabelecer a ordem: não somos contra a Espanha, mas temos o dever de proteger as nossas fronteiras”, afirmou.

Por fim, defendeu que a solidariedade europeia não deve significar, em sua avaliação, uma distribuição indiscriminada de refugiados entre os países do bloco. “Defender nossas fronteiras não significa colocar a Europa em risco”, concluiu.

Ele também afirmou concordar com o apelo do presidente da Itália, Sergio Mattarella, sustentando que “respeitar a dignidade humana não significa entregar migrantes a traficantes de pessoas ou à morte no mar”.

Da IstoÉ com ANSA