ROMA, 24 JAN (ANSA) – Após Donald Trump irritar os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) com críticas sobre a atuação no Afeganistão, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, seguiu outros países do continente europeu e reagiu com indignação às declarações do presidente dos Estados Unidos.
Em uma publicação nas redes sociais, a chefe de governo recordou que Washington se tornou o primeiro e, até o momento, o único membro da aliança militar a invocar o Artigo 5, norma que estabelece que um ataque contra um país da Otan é considerado uma agressão contra todos. Além disso, destacou que mais de 50 soldados italianos morreram ao longo de quase 20 anos de compromisso no Afeganistão.
“O governo italiano ficou chocado ao tomar conhecimento das declarações do presidente Trump de que os aliados da Otan ‘ficaram para trás’ durante as operações no Afeganistão.
Declarações que minimizam a contribuição dos países da aliança no Afeganistão são inaceitáveis, especialmente quando partem de uma nação aliada”, escreveu Meloni, acrescentando que mais de 700 militares italianos ficaram feridos em operações de combate e missões de segurança na região.
Na mensagem, a premiê afirmou que a ativação do Artigo 5 representou um ato “extraordinário de solidariedade” com os Estados Unidos e ressaltou a “sólida amizade” entre as nações.
“A Itália e os EUA estão unidos por uma sólida amizade, fundada em valores compartilhados e em uma colaboração histórica, ainda mais necessária diante dos muitos desafios em curso. No entanto, a amizade exige respeito, condição fundamental para continuar garantindo a solidariedade que sustenta a aliança atlântica”, declarou.
Em território italiano, Trump também foi criticado pelo vice-premiê e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, além do ministro da Defesa, Guido Crosetto, que afirmou que “não podemos nem queremos aceitar análises superficiais e equivocadas” sobre o tema.
Embora tenha se posicionado de forma firme, Meloni foi alvo de críticas da oposição devido à demora em divulgar sua resposta, que ocorreu mais de um dia após as manifestações de seus homólogos do Reino Unido, da Polônia e da Dinamarca.
(ANSA).