ROMA, 13 JAN (ANSA) – Os comissários estatais que administram uma enorme planta siderúrgica do sul da Itália pediram uma indenização de 7 bilhões de euros (R$ 44 bilhões) à multinacional ArcelorMittal, antiga proprietária da fábrica, em uma das maiores causas do tipo na história do país.
O caso gira em torno da Acciaierie d’Italia (ADI), antigamente conhecida como Ilva e que já foi a maior produtora de aço da Europa.
A siderúrgica, situada em Taranto, na Puglia, está sob intervenção do governo desde fevereiro de 2024, em uma tentativa da gestão da premiê Giorgia Meloni de proteger os cerca de 8 mil empregos da planta após sua insolvência.
Segundo um documento visualizado pela ANSA, os comissários alegam que os problemas financeiros enfrentados pela ADI entre 2018 e 2024, quando a ArcelorMittal detinha 62% das ações ? os outros 38% estavam nas mãos do Estado ?, não se devem a “erros isolados de gestão ou a uma piora repentina da situação industrial”.
De acordo com eles, a derrocada da fábrica é fruto de uma “estratégica única, consciente e prolongada”, orientada a uma “transferência unilateral e sistemática de recursos em favor da multinacional siderúrgica”.
O documento foi elaborado por advogados a pedido dos comissários e fala em uma estratégia “predatória” por parte da gigante do aço, que tem sede em Luxemburgo. “Se esse quadro for confirmado em tribunal, poderá abrir caminho para uma ampla responsabilização civil e criminal, envolvendo administradores e outros terceiros que tenham contribuído conscientemente para a implementação do plano predatório da ArcelorMittal”, diz o texto.
A multinacional liderou um consórcio que adquiriu a ex-Ilva em novembro de 2018, prometendo investir pesadamente na usina de Taranto, que estava associada a altas taxas de câncer na cidade, caso seu aporte fosse igualado pelo Estado.
O envolvimento da ArcelorMittal terminou de forma conflituosa, quando o governo Meloni colocou a siderúrgica sob intervenção. O grupo de investimento privado americano Flacks anunciou no mês passado que iniciou negociações exclusivas com a Itália para comprar a ADI.
“Acredito que essa seja uma das ações de ressarcimento mais significativas de nossa história”, disse o ministro das Empresas e do Made in Italy, Adolfo Urso, nesta terça-feira (13).
“Espero que essa fase possa ser concluída da melhor forma possível, com a atribuição das instalações àqueles que realmente pretendem investir no relançamento produtivo de um local tão importante e estratégico para a Itália e a Europa”, salientou.
(ANSA).