Itália bloqueia venda de bombas e mísseis para Arábia Saudita

ROMA, 29 JAN (ANSA) – O governo da Itália anunciou nesta sexta-feira (29) a revogação da autorização para exportação de mísseis e bombas para Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, países que formam uma coalizão acusada de violar direitos humanos na guerra no Iêmen.   

Em sua página no Facebook, o ministro das Relações Exteriores, Luigi Di Maio, disse que a medida era um “ato obrigatório” e representa uma “clara mensagem de paz” enviada pela Itália. “O respeito aos direitos humanos é um compromisso mandatório”, escreveu o chanceler.   

A notícia foi comemorada pela Rede Italiana pela Paz e o Desarmamento, que definiu a decisão como “histórica”. “O governo decidiu revogar, e não apenas suspender, as autorizações vigentes para exportação de mísseis e bombas aéreas para Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos”, disse a entidade.   

Nos últimos anos, investigações jornalísticas mostraram que bombas fabricadas na Itália e vendidas à Arábia Saudita foram usadas contra civis no Iêmen, país que está em guerra civil desde 2015.   

Riad lidera uma coalizão que combate rebeldes houthis apoiados pelo Irã no Iêmen, que também enfrenta uma grave crise humanitária por causa dos conflitos.   

Caso Renzi – A proibição chega em meio à repercussão negativa da participação do ex-primeiro-ministro e senador Matteo Renzi em um evento com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammad bin Salman, acusado de violação dos direitos humanos e de ser o mandante do brutal assassinato do jornalista Jamal Khashoggi.   

Pivô da crise política que levou à renúncia do premiê Giuseppe Conte, Renzi usou tons amistosos com MbS e chegou a dizer que a Arábia Saudita pode ser “o lugar para um novo Renascimento”, em referência ao movimento artístico surgido em Florença, cidade da qual ele foi prefeito.   

“É um grande prazer e uma honra estar com o grande príncipe herdeiro Mohammad bin Salman”, afirmou Renzi no evento. A postura do ex-premiê provocou críticas, principalmente na oposição.   

“É inaceitável que um senador da República, pago pelos cidadãos, circule pelo mundo fazendo o papel de porta-voz de regimes autocratas”, afirmou o líder do partido liberal Ação, Carlo Calenda, pré-candidato a prefeito de Roma.   

Já os partidos do governo, que ainda cogitam reabrir negociações com Renzi para dar um terceiro mandato a Conte, preferiram não entrar no assunto. “Acredito que, em um momento complicado como este, o melhor modo de ajudar é evitar acrescentar polêmicas”, disse o vice-secretário do centro-esquerdista Partido Democrático (PD), Andrea Orlando.   

O ex-premiê, por sua vez, garantiu que está disposto a falar sobre a Arábia Saudita com jornalistas, mas “na semana seguinte ao fim da crise do governo”. “Agora estamos discutindo sobre o futuro da Itália, não sobre o futuro dos sauditas”, declarou.   

(ANSA).