Itália avalia suspender acordo de Schengen com Espanha após crise migratória em Ceuta

ROMA, 30 JUL (ANSA) – A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, confirmou nesta quinta-feira (30) que “medidas extraordinárias” estão sendo consideradas para proteger as fronteiras do país, incluindo a suspensão do Acordo de Schengen com a Espanha, em decorrência da crise migratória em Ceuta.

O anúncio foi feito após a chegada a nado de milhares de migrantes ao enclave espanhol no norte da África, episódio que resultou na morte de ao menos 11 pessoas, deixou dezenas de desaparecidos e levou à mobilização do Exército.

“As imagens vindas de Ceuta são chocantes e demonstram, mais uma vez, que a imigração ilegal descontrolada representa uma ameaça concreta à segurança das fronteiras europeias”, escreveu Meloni em suas redes sociais.

A premiê italiana explicou que se reuniu com o ministro do Interior, Matteo Piantedosi, e que “os órgãos competentes estão sendo convocados” e, após essas reuniões, o governo italiano estará preparado para intervir, inclusive com medidas extraordinárias para proteger as fronteiras e garantir a segurança dos cidadãos.

“Não cederemos um milímetro em relação à imigração ilegal: proteger nossas fronteiras, deter os traficantes de pessoas e garantir repatriações eficazes continuarão sendo a política deste governo”, afirmou ela.

Mais cedo, fontes do Palazzo Chigi já haviam declarado que o governo italiano estava “considerando a suspensão da aplicação do Tratado de Schengen”.

O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, declarou apoio à medida. “Sou a favor de fechar a área Schengen com a Espanha e tenho total confiança no trabalho do ministro Piantedosi”, escreveu ele na rede social X.

Segundo o chanceler italiano, a imigração irregular e descontrolada representa uma ameaça à segurança nacional.

Ele também voltou a criticar a decisão do governo espanhol relacionada à concessão de cidadania a mais de 500 mil imigrantes em situação irregular, afirmando que a medida poderia incentivar o tráfico de pessoas.

Já o líder da Liga e também vice-premiê da Itália, Matteo Salvini, afirmou que seu país deveria defender suas fronteiras e comparou a situação atual com processos judiciais que enfrentou no passado por políticas migratórias.

“Enfrentei anos de processos judiciais, correndo o risco de seis anos de prisão, por proteger as fronteiras do meu país. Sánchez não. Suspender Schengen. Defender as fronteiras”, enfatizou.

A eventual suspensão das garantias de livre circulação previstas no Tratado de Schengen ? medida excepcional autorizada pelo direito da União Europeia para proteger a segurança interna ? resultaria na reintrodução temporária dos controles fronteiriços entre a Itália e a Espanha. (ANSA).