O Senado da Itália aprovou, nesta quarta-feira (23), de forma definitiva, um projeto de lei do governo de Giorgia Meloni para retomar a exploração da energia nuclear, banida no país desde o fim dos anos 1980. O texto, que já havia passado pela Câmara dos Deputados em junho, concede ao Executivo um prazo de até um ano para regulamentar o setor, com foco principal em pequenos reatores.
A iniciativa surge em um cenário de alta dos preços de energia, impulsionada pelas guerras na Ucrânia e no Irã. Anteriormente, a Itália dependia fortemente do gás natural russo. Contudo, a invasão russa deflagrada em 2022 levou Roma a buscar novos fornecedores no Oriente Médio, que agora enfrentam impactos do prolongado bloqueio no Estreito de Ormuz.
“Hoje é um dia histórico para a Itália. A energia nuclear sustentável, junto com as fontes renováveis, tornará a Itália um país seguro, independente e competitivo”, afirmou Gilberto Pichetto Fratin, ministro do Meio Ambiente e da Segurança Energética e autor do projeto de lei. Ele acrescentou que o trabalho para redigir os decretos de aplicação da lei já começou e deve ser concluído até o fim do ano.
Por que a Itália aposta na energia nuclear?
O objetivo principal da gestão Meloni é reintroduzir a produção de energia nuclear no país, mas com uma abordagem focada em reatores de última geração de pequeno porte, em detrimento das grandes centrais. A nação europeia havia abandonado essa fonte energética em 1987, após um referendo popular realizado na esteira do desastre de Chernobyl, ocorrido no ano anterior.
Em contraponto à visão governamental, o senador Peppe De Cristofaro, da Aliança dos Verdes e da Esquerda (AVS), classificou a iniciativa como uma “gigantesca distração de massa”, utilizada para desviar o foco do “fracasso das políticas energéticas do governo”.
“Nenhum benefício chegará da energia nuclear. Centrais e tecnologias ainda não estão disponíveis; enquanto isso, continuamos queimando gás e dependendo de importações”, salientou De Cristofaro, reforçando a crítica de que a aposta nuclear não resolverá os problemas imediatos da Itália. (Da IstoÉ com ANSA)