Aprovação definitiva na Câmara consolida sistema proporcional com prêmio de governabilidade, mudança impulsionada pela premiê Giorgia Meloni.
A Câmara dos Deputados da Itália deu o aval definitivo nesta quinta-feira (8) ao projeto de reforma eleitoral capitaneado pela premiê Giorgia Meloni. Aprovado por 227 votos a favor e 164 contra, o texto redesenha as regras de votação a cerca de um ano das próximas eleições legislativas.
O eixo central da mudança é a adoção de um sistema proporcional puro acompanhado de um prêmio de governabilidade. A coligação que alcançar pelo menos 42% dos votos na disputa parlamentar receberá um bônus de 70 assentos na Câmara e 35 no Senado.
Busca por estabilidade e críticas da oposição
Defensora intransigente da medida, Meloni argumenta que a reforma é indispensável para estancar a volatilidade institucional italiana. Em 80 anos de República, o país acumulou 68 governos e 31 primeiros-ministros. “Governos mais estáveis e maior participação significam mais continuidade, responsabilidade e capacidade de dar respostas concretas aos cidadãos”, declarou a premiê, que já ostenta a marca de chefe do Executivo mais longevo da história republicana.
Em contrapartida, as legendas de oposição reagiram com veemência, enxergando na medida uma manobra de autodefesa governista frente ao desgaste nas pesquisas.
O ex-primeiro-ministro Giuseppe Conte, líder do Movimento 5 Estrelas (M5S), classificou a investida como um eco histórico. “Vocês se inspiram nessa persistente nostalgia do ventennio“, fustigou, evocando a ditadura fascista. “Mas aqui está uma oposição que vai te mandar para casa.”
Pelo lado do progressista Partido Democrático (PD), a líder Elly Schlein ecoou o tom crítico e apontou receio de derrota na base governista. “A novidade somos nós, uma área progressista unida e competitiva, e nós seremos capazes de vencer com qualquer lei eleitoral”, afirmou.
Cenário para 2027 e novas regras técnicas
O xadrez político para as eleições de outubro de 2027 — com possibilidade de antecipação para o primeiro semestre — desenha uma disputa acirrada. Diferente de 2022, quando concorreram fragmentadas, as forças de centro e esquerda articulam uma frente ampla de oposição. Além disso, a base de Meloni enfrenta o desafio da fuga de votos impulsionada pela ascensão do general de extrema direita Roberto Vannacci, atual opositor do governo e fiel da balança em potencial.
Além do bônus de governabilidade, a nova legislação introduz modificações operacionais profundas:
Listas e preferências: Os primeiros nomes das listas serão definidos internamente pelos partidos. O eleitor, por sua vez, poderá indicar até três preferências entre os candidatos, obrigatoriamente alternando entre homens e mulheres.
Indicação de premiê: Partidos e coligações passam a ser obrigados a declarar formalmente seu candidato ao cargo de primeiro-ministro antes da votação.
Eleitores no exterior: O modelo de representação da diáspora italiana foi enxugado. Na Câmara, as quatro antigas circunscrições (Europa; América do Sul; América do Norte e Central; e África, Ásia, Oceania e Antártida) foram condensadas em apenas duas — uma para a Europa e outra abrangendo o restante do mundo. No Senado, o bloco foi unificado em uma única circunscrição global.