Cultura

Itália ajudará a tirar obras de escombros do Museu Nacional

SÃO PAULO, 19 JUN (ANSA) – Renomada mundialmente por sua experiência na tutela e restauração de patrimônios históricos e culturais, a Itália ajudará a salvar obras que ainda estão perdidas nos escombros do Museu Nacional do Rio de Janeiro, destruído por um incêndio em setembro de 2018.   

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A parceria foi revelada pela subsecretária do Ministério dos Bens Culturais italiano, Lucia Borgonzoni, em entrevista exclusiva à ANSA nesta quarta-feira (19), durante sua visita ao Rio. No início do mês, a pasta já havia se comprometido a enviar itens arqueológicos para uma exposição no Brasil, mas a colaboração deve ser maior do que o previsto.   

Durante uma visita ao Museu Nacional, Borgonzoni descobriu que muitos itens do acervo continuam perdidos em meio aos escombros.   

“O raciocínio que fizemos é que podemos dar uma mão nessa fase de recuperação para salvar o maior número de coisas que possam ser salvas”, disse a subsecretária, cargo equivalente a vice-ministra.   

Devido à situação atual do prédio, Borgonzoni não entrou no museu, mas visitou contêineres que abrigam itens já removidos e viu slides que mostram o estado dos espaços internos. “A ideia [da ajuda para retirar as obras dos escombros] nasceu da inspeção feita no museu, quando vimos que ainda há muitos passos a serem dados. Daremos uma mão e, enquanto o museu é recuperado, faremos uma exposição no Instituto Italiano de Cultura e no Consulado”, acrescentou.   

Segundo a subsecretária, um grupo de técnicos ainda avaliará como a Itália pode ajudar e quais especialistas são mais adequados à tarefa. “Acho que é um dever dar uma mão e proteger aquilo que houver de salvável”, afirmou Borgonzoni, lembrando a experiência italiana na recuperação e tutela de bens culturais.   

A entrevista foi concedida por telefone, enquanto a subsecretária participava de um simpósio internacional no Rio de Janeiro chamado “O museu como laboratório: memória, sustentabilidade e inovação”, realizado no Instituto Italiano de Cultura e que discute justamente a gestão do patrimônio artístico e histórico.   

Borgonzoni veio ao Brasil com uma delegação que inclui o diretor do Parque Arqueológico de Ercolano, Francesco Sirano, e o diretor do Museu Arqueológico Nacional de Nápoles, Paolo Giulierini, além de historiadores da arte e restauradores.   

Uma das integrantes da comitiva, Elisabetta Canna, restauradora do Parque de Ercolano, teve acesso a algumas peças tiradas do Museu Nacional para definir como a Itália poderá ajudar também na restauração das obras.   

Em sua visita, Borgonzoni se reuniu com o ministro da Cidadania, Osmar Terra, com o secretário especial da Cultura, Henrique Pires, visitou a Biblioteca Nacional do Rio e discutiu parcerias no setor audiovisual.   

Exposição – O acervo do Museu Nacional incluía uma coleção arqueológica trazida ao Brasil por Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias, nascida em Nápoles, como dote de seu casamento com o imperador Dom Pedro II.   

Enquanto o museu é recuperado, a Itália enviará para exposição no Rio de Janeiro, por tempo indeterminado, uma série de itens dos parques de Pompeia e Ercolano e do Museu Arqueológico de Nápoles.   

A mostra ainda não tem data definida, mas acontecerá no Consulado-Geral da Itália na capital fluminense. Além disso, o país europeu ofereceu uma colaboração para restaurar uma estatueta koré (estátua feminina grega em pé e com postura rígida) trazida por Teresa Cristina e danificada no incêndio.   

(ANSA)

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