ROMA — O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, defendeu a urgência de o país europeu acelerar sua atuação nos mercados do Mercosul. A declaração ocorre poucos dias após sua missão oficial na Argentina e no Brasil, visando fortalecer as relações comerciais e diversificar as exportações italianas.
- Itália acelera presença no Mercosul para intensificar comércio e exportações.
- Antonio Tajani fechou acordos importantes com a Argentina em matérias-primas e política industrial.
- Há um interesse mútuo de empresários argentinos e brasileiros em investir na Itália.
Em entrevista ao jornal Il Sole 24 Ore, Tajani enfatizou que, “após os resultados que alcançamos com esta missão em termos de reuniões B2B, não podemos perder tempo. Devemos acelerar nossos esforços nos mercados do Mercosul”. Ele complementou, afirmando que a “chave é diversificar nossas exportações”.
O chanceler italiano avaliou que os países visitados, Argentina e Brasil, “têm um apetite extraordinário pela Itália”. Além disso, durante a missão, foram firmados dois acordos “muito importantes” com a Argentina, focados em matérias-primas e política industrial, que “nos permitirão apoiar ainda mais nossos negócios”.
Por que a Itália acelera no Mercosul?
Tajani ressaltou a percepção de que a Itália foi pioneira em discutir oportunidades de desenvolvimento e comércio na região após o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. “Todos ficaram impressionados com o fato de termos sido os primeiros a vir discutir oportunidades de desenvolvimento e comércio após o acordo UE-Mercosul”, disse o vice-premiê. Ele classificou a decisão de “estar à frente do nosso tempo nesses mercados, especialmente no atual contexto internacional e geopolítico complexo”, como uma “escolha acertada”.
O ministro italiano mencionou que as empresas argentinas e brasileiras mostram grande interesse em diversos setores, como “agroalimentar, farmacêutico e medicina, mas também transição energética, engenharia mecânica e de plantas industriais, tecnologias digitais e defesa”.
Interesse mútuo em novas frentes
Além do interesse italiano, Tajani destacou que “durante esta missão, também surgiu o interesse de empresários argentinos e brasileiros em investir em nosso país”. Ele observou que a América Latina possui um “grande interesse na cultura e tradição italianas”, áreas que, junto com o esporte, foram pautas centrais da missão como impulsionadoras de crescimento e inovação.
Por fim, o vice-premiê da Itália reiterou a importância das exportações para a política governamental, revelando que atingiram um recorde de “650 bilhões de euros”. A meta estabelecida pelo governo italiano é alcançar 700 bilhões de euros até o final do próximo ano, consolidando as exportações como um dos pilares da economia italiana.