AGRIGENTO E ROMA, 28 JUN (ANSA) – O Ministério Público de Agrigento, no sul da Itália, abriu nesta sexta-feira (28) um inquérito contra a capitã do navio Sea Watch 3, a alemã Carola Rackete, por suspeita de favorecimento à imigração clandestina e recusa a obedecer um navio de guerra.
A embarcação resgatou 53 pessoas no Mediterrâneo Central, a 47 milhas náuticas da costa da Líbia, em 12 de junho e entrou em águas territoriais italianas sem autorização, crime passível de multa de até 50 mil euros, segundo um decreto editado recentemente pelo ministro do Interior Matteo Salvini.
O navio, pertencente à ONG alemã Sea Watch e com registro na Holanda, está a uma milha do porto de Lampedusa, ilha italiana situada a cerca de 100 quilômetros do norte da África, e ainda carrega 40 migrantes, já que 13 tiveram permissão para desembarcar por motivos médicos.
“Enfrentarei tudo com o suporte dos advogados da Sea Watch, mas agora quero apenas as pessoas em terra firme”, disse Rackete. O navio também foi alvo de uma operação da Guarda de Finanças, que apreendeu documentos e vídeos feitos pela ONG. Existe a possibilidade de a embarcação ser sequestrada.
Salvini exige que os países da União Europeia cheguem a um acordo para redistribuir os migrantes antes de permitir o desembarque, mas Bruxelas afirma que primeiro é preciso fazê-los sair do navio.
Em Osaka, no Japão, para a cúpula do G20, o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, teve uma longa reunião com o premier da Holanda, Mark Rutte, para tentar resolver o impasse. Segundo Conte, “três ou quatro países” já se ofereceram para receber os deslocados internacionais. Um deles é a Finlândia, que disponibilizou oito postos.
“O comportamento do governo da Holanda é desgostoso, não dá a menor importância a um navio que tem bandeira holandesa. Escrevi ao ministro do Interior da Holanda, sem ter sequer um traço de resposta”, criticou Salvini.
Números – Uma comparação do último relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) com índices populacionais compilados pelo Banco Mundial mostra que a Itália é o 12º Estado-membro da União Europeia que mais abriga deslocados internacionais em termos relativos.
O país acolhe atualmente 294.867 refugiados e solicitantes de refúgio, o que equivale a 0,48% de sua população. Esse índice a deixa atrás de Suécia (2,84%), Malta (2,23%), Áustria (1,88%), Chipre (1,80%), Alemanha (1,73%), Grécia (1,27%), Dinamarca (0,68%), França (0,68%), Holanda (0,66%), Luxemburgo (0,59%) e Bélgica (0,54%).
Apesar de ser uma grande porta de entrada para deslocados internacionais na UE, a Itália acaba servindo apenas de passagem para essas pessoas, que frequentemente tentam seguir viagem para o norte da Europa. (ANSA)