O barulho, um elemento muitas vezes subestimado em nosso cotidiano, tem um impacto significativo na saúde humana. Este fenômeno invisível pode ser tão prejudicial quanto a poluição do ar, afetando não apenas a audição, mas também o bem-estar geral. Estudos indicam que a exposição prolongada a níveis elevados de ruído pode desencadear uma série de problemas de saúde, incluindo doenças cardiovasculares e distúrbios do sono.
Charlotte Clark, professora da Universidade St. George de Londres, descreve o barulho como uma crise de saúde pública, dado o número crescente de pessoas expostas a ele diariamente. O som, detectado pelo ouvido e processado pelo cérebro, pode ativar a resposta de “luta ou fuga”, aumentando a frequência cardíaca e liberando hormônios do estresse. Esta reação, benéfica em situações de emergência, torna-se prejudicial quando ocorre continuamente ao longo do tempo.
Como o barulho afeta o corpo humano?
O barulho afeta o corpo humano de maneiras complexas. A exposição constante a sons indesejados pode levar a um aumento no risco de doenças como ataques cardíacos, hipertensão e diabetes tipo 2. Mesmo durante o sono, o corpo continua a reagir ao ruído, o que pode explicar por que algumas pessoas experimentam problemas de saúde mesmo sem perceber o barulho ao seu redor.
Maria Foraster, pesquisadora da Organização Mundial da Saúde, destaca que o barulho do trânsito é particularmente prejudicial devido à sua onipresença. Em cidades como Barcelona, o ruído do tráfego é responsável por centenas de ataques cardíacos e mortes prematuras anualmente. A exposição a níveis de som acima de 53 decibéis durante o dia já é considerada prejudicial à saúde cardiovascular.

Quais são as principais fontes de barulho?
As principais fontes de barulho incluem o tráfego de veículos, trens e aviões, além de atividades recreativas. Em áreas urbanas densamente povoadas, como Dhaka, Bangladesh, o barulho do trânsito é uma constante, exacerbado pelo crescimento populacional e pela urbanização. O artista Momina Raman Royal, conhecido como “herói solitário”, tem protestado contra o uso excessivo de buzinas na cidade, destacando a necessidade de conscientização sobre o impacto do ruído.
Em Barcelona, iniciativas como as “superquadras” visam reduzir o barulho urbano, transformando ruas movimentadas em áreas para pedestres. Embora apenas algumas dessas áreas tenham sido implementadas, estudos sugerem que uma redução de 5% a 10% no barulho poderia evitar centenas de mortes prematuras anualmente.
Como podemos reduzir o barulho nas cidades?
Reduzir o barulho nas cidades requer uma abordagem multifacetada, envolvendo políticas públicas, conscientização e mudanças no comportamento social. Medidas como a criação de zonas de silêncio, a promoção de transportes públicos mais silenciosos e a implementação de regulamentos mais rigorosos sobre o uso de buzinas são passos importantes para mitigar o impacto do ruído.
Em Bangladesh, esforços estão sendo feitos para reduzir o barulho por meio de campanhas de conscientização e aplicação de leis existentes. Syeda Rizwana Hasan, conselheira ambiental, acredita que, ao diminuir o ruído, as pessoas se sentirão melhor e seus hábitos também mudarão.
Em suma, o barulho é um problema de saúde pública que requer atenção urgente. A criação de espaços urbanos mais silenciosos e a conscientização sobre os efeitos do ruído são essenciais para melhorar a qualidade de vida nas cidades modernas. Ao abordar o barulho como um “assassino silencioso”, podemos trabalhar para criar ambientes mais saudáveis e sustentáveis para todos.