A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 6% dos bebês nascem anualmente com algum tipo de distúrbio congênito. Entre as causas possíveis, o diabetes materno se destaca como um fator de risco significativo. Um estudo brasileiro recente, publicado na revista Diabetology & Metabolic Syndrome, revelou uma prevalência de 13,8% de malformações congênitas em bebês de mulheres com Diabetes Tipo 2, diagnosticado antes ou durante a gestação.
De acordo com a médica Maria Lúcia da Rocha Oppermann, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a falta de preparação pré-concepcional é um problema alarmante. O controle adequado da glicemia e a administração de ácido fólico poderiam evitar muitas dessas malformações. A pesquisa também destaca a relação entre o aumento da obesidade e o crescimento dos casos de Diabetes Tipo 2 em mulheres jovens, especialmente durante o período reprodutivo.
Qual é a relação entre Diabetes Tipo 2 e malformações congênitas?
O Diabetes Tipo 2 é caracterizado pela incapacidade do corpo de utilizar adequadamente a glicose, devido à deficiência de insulina ou à resistência dos tecidos à insulina. Durante a gravidez, a hiperglicemia materna pode ser transmitida ao feto, resultando em alterações moleculares que levam a malformações congênitas. Essas anomalias são frequentemente graves, podendo resultar em morte ou danos permanentes.

O estudo realizado no Rio Grande do Sul analisou dados de 567 mulheres grávidas com Diabetes Tipo 2, e encontrou uma taxa de 13,8% de anomalias congênitas nos bebês. As malformações cardíacas foram as mais comuns, seguidas por anomalias neurológicas. A hiperglicemia materna foi identificada como o principal fator de risco para essas condições.
Como a hiperglicemia afeta o desenvolvimento fetal?
Durante a gravidez, a glicose em excesso no sangue da mãe atravessa a placenta e afeta o feto. A glicose se liga à hemoglobina, formando a hemoglobina glicada, que tem alta afinidade pelo oxigênio, mas não o libera adequadamente para os tecidos. Isso resulta em uma menor disponibilidade de oxigênio para o bebê em desenvolvimento, aumentando o risco de malformações.
Exames de sangue que medem a hemoglobina glicada são essenciais para monitorar os níveis de glicemia durante a gravidez. Níveis elevados indicam um risco maior de malformações congênitas, destacando a importância do controle glicêmico desde o início da gestação.
Quais medidas podem reduzir o risco de malformações?
O planejamento da gravidez é crucial para mulheres com Diabetes Tipo 2. Acompanhamento médico regular e controle rigoroso dos níveis de glicose são fundamentais para reduzir o risco de malformações congênitas. Além disso, a substituição de medicamentos inadequados e a suplementação com ácido fólico são recomendadas para melhorar os resultados da gravidez.
O estudo brasileiro também alerta para a alta prevalência de obesidade e diabetes não diagnosticado no país. Estima-se que 60% das gestações no Brasil não sejam planejadas, o que dificulta o controle adequado do diabetes. O diagnóstico precoce e o planejamento familiar são essenciais para garantir uma gestação saudável.