A recente indignação do rapper Oruam com a imprensa, após sua saída de uma delegacia, levanta uma questão pertinente sobre a imparcialidade na cobertura jornalística de artistas emergentes. Oruam, que se destaca como um dos artistas mais ouvidos do Brasil no gênero Trap, expressou sua frustração com a falta de interesse da mídia em cobrir sua carreira musical, enquanto demonstrou prontidão em noticiar eventos polêmicos.
O caso de Oruam não é isolado. A mídia tradicional muitas vezes concentra sua atenção em artistas quando surgem controvérsias, ignorando o impacto cultural e social que esses músicos têm em suas comunidades. Este fenômeno não é novo e já foi observado com outros gêneros musicais, como o sertanejo e o funk, que também enfrentaram resistência por não se alinharem ao que é tradicionalmente considerado “boa música”.
Por que a imprensa ignora certos artistas como Oruam?
A cobertura desigual de artistas como Oruam pode ser atribuída a preconceitos enraizados na indústria musical e jornalística. Gêneros musicais que não se encaixam nos padrões da música popular brasileira (MPB) ou do rock tradicional, frequentemente associados a classes sociais mais altas, são muitas vezes marginalizados. Isso resulta em uma cobertura que não reflete a diversidade cultural do país.
Além disso, a imprensa tende a dar mais atenção a artistas que já possuem reconhecimento internacional ou que se encaixam em estereótipos de sucesso. Isso cria um ciclo vicioso onde artistas emergentes, que representam uma parte significativa da população, especialmente jovens de periferias, não recebem a visibilidade que merecem.
Como a cobertura midiática pode evoluir?
Para que a cobertura midiática seja mais inclusiva e representativa, é necessário que os veículos de comunicação ampliem seus horizontes e reconheçam a importância cultural de todos os gêneros musicais. Isso inclui dar espaço para artistas que, embora não sigam os padrões tradicionais, possuem uma base de fãs expressiva e contribuem para a diversidade musical do país.
Uma abordagem mais equilibrada e imparcial permitiria que a imprensa não apenas cobrisse eventos polêmicos, mas também celebrasse as conquistas e o impacto cultural de artistas como Oruam. Isso não apenas enriqueceria o panorama musical, mas também proporcionaria uma visão mais completa e justa da cultura popular.
O Que pode ser feito para melhorar a cobertura?
Para melhorar a cobertura de artistas emergentes, a imprensa pode adotar algumas estratégias:
- Diversificação de Fontes: Incluir vozes de diferentes gêneros musicais e origens sociais nas pautas.
- Reportagens de Contexto: Oferecer matérias que expliquem o contexto cultural e social dos artistas, indo além das polêmicas.
- Parcerias com Plataformas Digitais: Trabalhar em conjunto com plataformas de streaming para identificar tendências e artistas em ascensão.
- Treinamento de Jornalistas: Capacitar jornalistas para que compreendam e apreciem a diversidade musical do país.
Essas medidas podem ajudar a criar uma cobertura mais justa e representativa, que valorize a diversidade cultural e musical do Brasil, proporcionando aos artistas emergentes o reconhecimento que merecem.