IstoÉ apenas deu nome (nazismo) aos bois, ou melhor, ao boi (Bolsonaro)

Crédito: AFP/Hulton Deutsch

SEMELHANÇA A ordem e a disciplina impostas por Hitler para controlar os alemães sempre pareceram exemplares para Bolsonaro (Crédito: AFP/Hulton Deutsch)


Além dos crimes análogos ao nazismo, já apontados pela revista, na matéria de que trata a polêmica capa da edição impressa de número 2.700, dentre eles, a meu ver o mais grave, as experiências não consentidas (pelos doentes) com medicamentos comprovadamente ineficazes, Jair Bolsonaro, o verdugo do Planalto, em diversas outras ocasiões durante sua vida, demonstrou pensamentos e comportamentos semelhantes aos dos nazistas.

Em entrevista à extinta revista Playboy, por exemplo, assim se manifestou sobre os homossexuais: ‘Eu seria incapaz de amar um filho homossexual. Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí’. E continuou: ‘Se um casal homossexual vier morar do meu lado, isso vai desvalorizar minha casa. Se eles andarem de mãos dadas e derem beijinho, desvaloriza’. Como sabido, um dos principais alvos de Hitler foram os homossexuais.

O nazismo pretendia povoar o mundo com a ‘raça ariana’, por isso exterminava ‘raças inferiores e impuras’, como ciganos e mestiços. Vejam o que Bolsonaro já declarou sobre índios: ‘Com toda certeza o índio mudou, está evoluindo. Cada vez mais, índio é um ser humano igual a nós’. E também: ‘a cavalaria brasileira foi muito incompetente. Competente foi a cavalaria norte-americana, que dizimou os índios no passado e hoje não tem esse problema em seu país’.

Hitler não suportava outros povos e etnias. Ao se referir a um livro da jornalista Thaís Oyama, da Folha de S.Paulo, Bolsonaro disse: ‘Esse é o livro dessa japonesa, que eu não sei o que faz no Brasil’. Já sobre nordestinos: ‘Daqueles governadores paraíba, o pior é o do Maranhão’. E a respeito dos quilombolas: ‘fui num quilombola em Eldorado Paulista, e o afro-descente mais leve de lá pesava 7 arrobas. Eles não fazem nada, acho que nem para procriador serve mais’.

Consta, também, que Adolf nutria um ódio mortal pelas mulheres, talvez por questões de ordem sexual própria; talvez por sua mãe supostamente ter sido prostituta; talvez por ele – também supostamente – ter contraído uma séria doença venérea na juventude, que o tornou estéril, enfim, são muitas as versões sobre a psicopatia assombrosa do Fuhrer. E assim já se referiu Jair Bolsonaro, o amigo de décadas do miliciano Queiroz, sobre as mulheres:

‘Não empregaria homens e mulheres com os mesmos salários, mas admito que tem muita mulher que até é competente’. Ou: ‘Não pode vir aqui atrás de sexo gay; se algum turista quiser vir no Brasil fazer sexo com uma mulher, tudo bem, pode vir’. Ou ainda, sobre outra jornalista, também da Folha: ‘Ela queria um furo; ou queria dar… o furo!’. E a mais famosa de suas frases infames sobre as mulheres: ‘Não te estupro porque você não merece; você é muito feia’.

Bolsonaro, recentemente, recebeu com abraços e sorrisos um casal de neonazistas, sendo a senhora a neta do ex-ministro da Economia de Hitler e parlamentar de um partido investigado por práticas nazistas. E recebeu, também, jornalistas de ultra direita da Alemanha: ‘muitas tinham comorbidades, então a Covid apenas encurtou em algumas semanas a vida delas’, declarou sobre os idosos e/ou pessoas com doenças crônicas que morreram pelo coronavírus. O nome disso? Eugenia!

Em setembro de 2018, Jair Bolsonaro, o patriarca do clã das rachadinhas e das mansões milionárias, bradou sobre seus adversários políticos: ‘Vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre. Vamos botar esses picaretas para correr. Já que eles gostam tanto da Venezuela, essa turma tem de ir pra lá. Só que lá não tem nem mortadela. Vão ter de comer capim’, disse enquanto imitava estar atirando. O nazismo também pregava o aniquilamento de toda e qualquer forma de oposição.

E o que dizer do secretário da Cultura (cultura!!), um tal Roberto Alvim, que, ao som de Wagner, recitou trechos de um discurso nazista? E do gabinete do ódio, comandado pelo arruaceiro digital, travestido de vereador, Carlos Bolsonaro? Ou das ‘fake news’ disparadas em massa, como forma de propaganda? Ou ainda, do fechamento do Congresso e do STF? E da defesa da tortura? E dos métodos de violência contra opositores e críticos? Tudo isso são práticas nazistas, sim!

Hitler foi, durante muito tempo, relativizado na Europa e no resto do mundo; tido como um mero lunático excêntrico e nada mais. Pois deu no que deu! Bolsonaro também sempre foi relativizado. Tudo o que disse durante todos estes anos como deputado federal, e agora presidente da República, nunca foi chamado pelo nome. E foi exatamente, e tão somente isso, que fez a IstoÉ. Deu nome (nazismo) aos bois, ou melhor, ao boi (Bolsonaro). Foi forte? Muito. Mas plenamente compatível com a gravidade dos fatos.


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Sobre o autor

Ricardo Kertzman é blogueiro, colunista e contestador por natureza. Reza a lenda que, ao nascer, antes mesmo de chorar, reclamou do hospital, brigou com o obstetra e discutiu com a mãe. Seu temperamento impulsivo só não é maior que seu imenso bom coração.


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