Isto é o país do Bolsoringa

Crédito: José Manuel Diogo

(Crédito: José Manuel Diogo)

Cheguei de manhã em Guarulhos fugindo de um bando de maricas, mas apenas encontrei um Coringa louco, “inconsciente, irresponsável e insano” aterrorizando o povo na banca dos jornais.

Fui bem cedinho na esperança de encontrar o novo corpo expedicionário Brasileiro, feito de soldados sem saliva, já armados de pólvora, preparando a invasão militar dos Estados Unidos, mas apenas encontrei um general Mourão deprimido e triste no meio de um conflito de personalidade, tentando compreender como podia separar as suas pessoas física e política.

Ainda antes do café da manhã tinha esperança em encontrar Pazzuello celebrando a abertura do turismo e o aumento das exportações, mas apenas encontrei um general laranja proclamando cloroquinas e tentando impedir que qualquer vacina Dória salve as vidas no Brasil.

Amanheci na esperança de encontrar Covas, Boulos e Russomanos conversando juntos como melhorar São Paulo, mas encontrei apenas a morna conversa do costume … o Tietê continua cheirando a Cubatão.

Fiquei em Guarulhos do todo o dia e ­— enquanto nada acontecia — fiquei observando conversas em inglês de senhores e senhoras estrangeiras esperando seus voos para o exterior.

Escutei homens de negócios falando como é ótimo o Brasil continuar fechado ao mundo. Dirigentes de bancos internacionais estavam contentes pelo fato de a indústria brasileira continuar exportando matérias primas baratas sem acrescentar qualquer valor à soja, ao café, ao algodão e ao cacau.

Ouvi especialistas em inovação e tecnologia lamentar o talento perdido de jovens empreendedores que não decolam na Europa ou nos Estados Unidos apenas porque não aprenderam inglês na escola quando eram guris.

Outros disseram que há muitas empresas brasileiras com um incrível potencial exportador – por exemplo na área farmacêutica e médica, que tanto se desenvolveram na pandemia — que, podendo estar entre as melhores do mundo, não olham a palavra “exportar” como uma possibilidade natural de quem atua num mundo globalizado.

Ouvi muita gente neste aeroporto começando a entrar numa normalidade ainda inquieta, mas não ouvi nenhum dos políticos que ocupam com tolices a paciência dos cidadãos; talvez continuem entre a Alvorada e o Planalto, aterrorizando o progresso e aumentando a desordem.

Verde de raiva e amarelo de vergonha espero que a tormenta passe. Afinal este domingo há eleições e pode ser que alguma coisa comece a mudar.

Veja também

+ Jovem morre após queda de 50 metros durante prática de Slackline Highline
+ Conheça o phloeodes diabolicus "o besouro indestrutível"
+ Truque para espremer limões vira mania nas redes sociais
+ Mulher finge ser agente do FBI para conseguir comida grátis e vai presa
+ Zona Azul digital em SP muda dia 16; veja como fica
+ Estudo revela o método mais saudável para cozinhar arroz
+ Arrotar muito pode ser algum problema de saúde?
+ Tubarão é capturado no MA com restos de jovens desaparecidos no estômago
+ Cinema, sexo e a cidade
+ Descoberta oficina de cobre de 6.500 anos no deserto em Israel


Sobre o autor

José Manuel Diogo é autor, colunista, empreendedor e key note speaker; especialista internacional em media intelligence,  gestão de informações, comunicação estratégica e lobby. Diretor do Global Media Group e membro do Observatório Político Português e da Câmara de Comércio e Indústria Luso Brasileira. Colunista regular na imprensa portuguesa há mais de 15 anos, mantém coluna no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra. É ainda autor do blog espumadosdias.com. Pai de dois filhos, vive sempre com um pé em cada lado do oceano Atlântico, entre São Paulo e Lisboa, Luanda, Londres e Amsterdã.


Mais posts

Ver mais

Copyright © 2020 - Editora Três
Todos os direitos reservados.

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicaçõs Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.