O juiz federal Sergio Moro e um dos advogados de Eduardo Cunha protagonizaram momentos de embate acalorado durante um depoimento do ex-presidente da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (31). As informações são do UOL.
O depoimento de Cunha deveria ter acontecido em outubro e foi adiado por Moro para esta quarta a pedido da defesa. Na ocasião, os advogados alegaram que um laudo complementar sobre uma perícia feita em um aparelho celular, que seria de Cunha, ainda não havia sido entregue pela PF.
Logo no início do depoimento, um defensor de Cunha pediu que o interrogatório fosse, mais uma vez, adiado. O advogado alegou não ter tido tempo para discutir a estratégia de defesa com o ex-deputado às vésperas do interrogatório.
“De fato, estivemos ontem no CMP [Complexo Médico Penal] na tentativa de ter uma entrevista que amplificasse a defesa e não conseguimos”, afirmou. “Depois, à tarde, tudo isso por um parlatório, não houve possibilidade de exibição de documentos”, pontuou ainda o advogado.
“Em um processo que tem mais de dois anos, quase três anos de trâmite, a defesa argumentar que não teve tempo de conversar com o cliente é um total disparate, com todo o respeito”, retrucou Moro. “Eu falei que não tive tempo de conversar nas vésperas”, respondeu o advogado.
Irritado, Moro sugeriu que a defesa deveria se “programar melhor” para fazer contato com seu cliente. “Não precisa ir na véspera. Pode ir na antevéspera, na semana passada. É um disparate isso, essa argumentação da defesa. Está indeferido, doutor”.
Por ordem de Moro, o ex-presidente da Câmara está preso desde outubro do mesmo ano. A prisão de Cunha, no entanto, foi decretada de forma preventiva em outra ação penal, que investiga o recebimento de propina em um contrato de exploração de Petróleo na África. Em março de 2017, Cunha foi condenado por Moro a 15 anos e 4 meses de prisão.