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Israel mata líder militar palestino na Faixa de Gaza

Israel mata líder militar palestino na Faixa de Gaza

Disparos de foguetes palestinos a partir da Faixa de Gaza contra Israel em 12 de novembro de 2019 - AFP

O Exército de Israel matou nesta terça-feira (12) na Faixa de Gaza um líder militar do grupo armado palestino Jihad Islâmica, que respondeu com disparos de cerca de 200 foguetes contra Israel, que deixou pelo menos sete palestinos mortos.

A Jihad Islâmica confirmou a morte do comandante Baha Abu al Ata, e de sua esposa, Asma, depois que o exército israelense anunciou que havia atacado o edifício onde vivia no enclave palestino controlado pelo movimento islamita Hamas.

O episódio faz temer a ocorrência de uma escalada. As sirenes de alarme foram acionadas em várias cidades de Israel, incluindo Tel Aviv, onde escolas e universidades foram fechadas após os lançamentos de foguetes.

Poucas horas depois, dois palestinos morreram em outros bombardeios israelenses contra a Faixa de Gaza, de acordo com fontes do governo do território.

Em Damasco (Síria), um ataque contra a residência de um líder político da Jihad Islâmica matou seu filho e outra pessoa, informou a agência oficial de notícias síria SANA, que atribuiu o ataque a Israel.

Na Faixa de Gaza, a Jihad Islâmica confirmou a morte do comandante Baha Abu Al-Ata, de 42 anos, depois que o Exército israelense anunciou um ataque contra o edifício em que ele morava.

Vários moradores citaram uma explosão na residência de Abu Al-Ata, no distrito de Shajaiya, ao leste da cidade de Gaza.

As mesquitas locais anunciaram a morte de Al-Ata, pai de cinco filhos, que aderiu à Jihad Islâmica na década de 1990, de acordo com o grupo armado.

Como represália pela morte do chefe militar, o grupo palestino respondeu com bombardeios de foguetes.

O exército de Israel respondeu com ataques aéreos. As autoridades de Gaza informaram que sete mortos, incluindo o comandante e sua esposa, e cerca de 40 feridos no enclave palestino.

Embora a maioria dos quase 200 foguetes tenham sido interceptados segundo o exército israelense, alguns causaram danos e vários feridos e atingiram uma casa, uma fábrica e uma estrada. Os médicos israelenses disseram que atenderam 39 pessoas.

– Alerta máximo –

A Jihad Islâmica anunciou que está em estado de “alerta máximo” depois da operação israelense.

Uma fonte militar confirmou um número importante de disparos contra Israel a partir da Faixa de Gaza, território controlado há mais de dez anos pelo movimento islamita Hamas e submetido ao bloqueio israelense.

“Nossa mensagem ao Hamas e à Jihad Islâmica palestina é que não buscamos uma escalada, mas estamos preparados para cenários defensivos e ofensivos”, declarou o porta-voz do Exército israelense, Jonathan Conricus.

“Nos preparamos para vários dias de confrontos”, completou Conricus.

Israel também atacou a Jihad Islâmica em Damasco, informou a imprensa síria.

De acordo com a agência oficial SANA, dois foguetes atingiram a residência de Akram Ajuri. O ataque matou seu filho Muadh e outra pessoa.

A Jihad Islâmica confirmou a morte de um filho, sem revelar o nome, do dirigente da organização.

Ao ser questionado sobre o ataque em Damasco, quase simultâneo à operação aérea em Gaza, o Exército israelense se limitou a responder “sem comentários”.

– “Ataques” –

Israel justificou o ataque na Faixa de Gaza e afirmou que Abu Ata era o responsável por vários disparos de foguetes contra Israel a partir do território palestino.

Ele estava preparando ataques com operações com foguetes, franco-atiradores, drones e combatentes, de acordo com os comandantes militares israelenses.

“Era responsável por vários ataques terroristas, por lançamentos de foguetes contra o Estado de Israel nos últimos meses e tinha a intenção de cometer ataques que eram iminentes”, declarou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, antes de informar que a operação foi aprovada pelo gabinete de segurança.

Os confrontos contrastam com a relativa calma das últimas semanas ao longo do muro que separa a Faixa de Gaza de Israel.

O momento anterior de lançamentos de foguetes palestinos e ataques aéreos israelenses havia acontecido em agosto, o que provocou o temor de uma escalada entre Hamas e Israel. Ambos entraram em guerra em três ocasiões desde 2008.

Ao contrário da Jihad Islâmica, o Hamas aprovou um acordo de trégua negociado com ONU, Egito e Catar.

Antes dos ataques de agosto, Israel estava adiando a entrada dos milhões de dólares de ajuda que o Catar entrega mensalmente às autoridades da Faixa de Gaza, no contexto de uma trégua.

Em agosto, de acordo com os analistas, os disparos de foguetes foram uma maneira de pressionar Israel a acelerar a entrada da ajuda do Catar.

“Ao assassinar Abu al Ata, as forças de ocupação israelense tentam criar os casos e minar nossos esforços para restabelecer a unidade entre as facções palestinas”, assegurou o chefe do escritório político do Hamas, Ismail Haniyeh, sem questionar a trégua.