Israel estava mal preparado para ameaça “estratégica” dos túneis de Gaza em 2014

Israel estava mal preparado para ameaça "estratégica" dos túneis de Gaza em 2014

Um relatório oficial israelense publicado nesta terça-feira acusa o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seus generais pela preparação ruim do exército ante a ameaça “estratégica” dos túneis de guerra do Hamas durante o conflito na Faixa de Gaza em 2014.

“As autoridades políticas e militares e os serviços de inteligência estavam informados sobre a ameaça que representavam os túneis e inclusive a classificaram como ‘estratégica'”, afirma um relatório do gabinete do auditor do Estado, um alto funcionário público responsável por examinar as ações do governo.

“No entanto, as ações realizadas em relação a esta ameaça não correspondem a esta definição”, afirma o documento.

“O primeiro-ministro, o ex-ministro da Defesa e o ex-comandante do Estado-Maior não se preocuparam de que o exército tivesse a sua disposição planos operacionais para combater os túneis em zonas urbanas”, completa o relatório.

Antes mesmo da publicação, o informe provocou nervosismo entre a classe política do país. O chefe de Governo tomou a dianteira na segunda-feira e defendeu as decisões tomadas, alegando que o país infligiu ao Hamas “o golpe mais duro que já sofreu”.

O relatório analisa a mais violenta das três guerras do exército israelense na Faixa de Gaza desde que o Hamas, inimigo eterno de Israel, assumiu o poder em 2007, que deixou 2.251 mortos do lado palestino, incluindo 551 crianças, e mais de 10.000 feridos de acordo com a ONU. Do lado israelense morreram 74 pessoas, incluindo 68 soldados.

O texto é uma análise política e não operacional que examina o processo de decisão antes e depois da campanha militar, em particular sobre os túneis.