Israel e Líbano farão segunda rodada de negociações na quinta-feira

Representantes dos dois países se reúnem pela primeira vez após o cessar-fogo; em solo libanês, restrições de movimento e novos confrontos ameaçam a trégua

REUTERS/Aziz Taher
Membro do exército libanês observa socorristas em busca de vítimas no local de um ataque israelense a uma ponte, realizado antes da entrada em vigor de um cessar-fogo de dez dias entre Israel e Hezbollah, em Qasmiyeh, no sul do Líbano 20 de abril de 2026 Foto: REUTERS/Aziz Taher

Representantes de Israel e do Líbano retomarão as negociações presenciais em Washington na quinta-feira, 23. A informação foi confirmada pela Reuters nesta segunda-feira, 20, por uma fonte israelense sob condição de anonimato. O encontro marca a primeira rodada de conversas oficiais entre as nações desde que o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entrou em vigor, na quinta-feira, 16. O embaixador israelense nos EUA, Yechiel Leiter, chefiará a delegação de seu país.

Apesar da agenda diplomática, a situação no sul do Líbano permanece instável. As Forças de Defesa de Israel emitiram novos alertas nesta segunda-feira, ordenando que residentes libaneses não retornem a um cinturão de território ao longo da fronteira e evitem a área do rio Litani. Por meio de redes sociais, os militares publicaram um mapa delimitando uma “linha vermelha” que abrange 21 vilarejos, além de citar outras 50 localidades onde o retorno de civis ainda é proibido.

+ Soldado israelense ataca estátua de Jesus no Líbano

A manutenção de tropas israelenses em território libanês visa estabelecer uma zona de amortecimento para proteger o norte de Israel. No entanto, o Hezbollah afirma manter o “direito de resistir” à ocupação. Nesta segunda-feira, o grupo declarou ter detonado explosivos contra veículos militares israelenses no domingo, resultando na destruição de quatro tanques. Os militares de Israel confirmaram a morte de um soldado e ferimentos em outros nove durante combates recentes na região, mas não comentaram especificamente a perda dos blindados.

O cenário de insegurança é corroborado por lideranças locais. Mahmoud Qmati, oficial sênior do Hezbollah, orientou moradores dos subúrbios de Beirute a não retornarem às suas casas devido ao risco de novos ataques. Conselhos locais no sul do Líbano emitiram avisos semelhantes.

O conflito, intensificado em 2 de março, gerou graves consequências humanitárias. Segundo autoridades libanesas, a ofensiva resultou em mais de 2.300 mortes e no deslocamento de 1,2 milhão de pessoas. Do lado israelense, o governo registra a morte de dois civis por ataques de drones e foguetes, além de 15 soldados mortos em operações no Líbano desde o início do mês passado.

* Com informações da Reuters