Novos ataques abalaram o Irã e diversos países do Golfo nesta sexta-feira, 13, com uma nova onda de bombardeios de Israel e da República Islâmica em uma guerra que não dá trégua no Oriente Médio e ameaça a economia mundial.
Explosões intensas foram registradas em Teerã durante a manhã de sexta-feira, segundo jornalistas da AFP, depois que o Exército de Israel anunciou uma nova “onda de ataques em larga escala” na capital iraniana. Ao mesmo tempo, o conflito continua a provocar impactos na economia global. A alta expressiva dos preços do petróleo levou o governo dos Estados Unidos a flexibilizar parcialmente as sanções impostas à Rússia pela invasão da Ucrânia, permitindo temporariamente a venda do petróleo russo armazenado em navios.
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O presidente americano, Donald Trump, afirmou que derrotar o que chamou de “império do mal” do Irã é mais importante do que o aumento dos preços dos combustíveis. Mesmo com a liberação recorde de reservas de combustíveis, a cotação do petróleo permanecia acima do valor de referência de 100 dólares nesta sexta-feira. A Agência Internacional de Energia (AIE) advertiu que a guerra poderia provocar “a maior interrupção do abastecimento” da história do setor.
O conflito, que começou em 28 de fevereiro com os ataques americanos e israelenses que mataram o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, entrará em sua terceira semana no sábado. A França, que mantém tropas na região, mas não participa da campanha de bombardeios contra o Irã, informou a primeira morte de um soldado do país no conflito.
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O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou que um militar morreu em um ataque na região iraquiana de Erbil, que também deixou outros militares feridos. Macron não revelou detalhes, mas o Exército francês afirmou que uma base onde tropas do país participavam de um treinamento com forças iraquianas foi alvo de um ataque com drones.
Sem reivindicar diretamente a autoria, um grupo armado iraquiano pró-Irã, Ashab al Kahf, declarou nesta sexta-feira que “todos os interesses franceses” na região serão alvos devido à presença do porta-aviões Charles de Gaulle. Em outra região do Iraque, um avião de reabastecimento americano caiu. Segundo Washington, o incidente não foi provocado por “fogo hostil, nem por fogo amigo”. O Exército do Irã, no entanto, afirmou que a aeronave foi atingida por um míssil lançado por um movimento armado pró-iraniano e que toda a tripulação morreu no ataque.
Drones no Golfo
Irã e Israel prosseguiram com os ataques nesta sexta-feira, dia das marchas conhecidas como Jornada de Al Qods, criadas em 1979 pela República Islâmica em protesto contra o controle israelense de Jerusalém e em apoio aos palestinos. O Exército israelense anunciou uma nova série de ataques contra infraestruturas em Teerã e contra postos dos ‘basij’, uma milícia aliada ao poder. Segundo Israel, mais de 200 alvos foram atingidos no Irã em apenas um dia, incluindo lançadores de mísseis e sistemas de defesa.
No país, o clima entre a população é de tensão crescente. “As pessoas estão tentando desesperadamente retirar suas economias dos bancos”, declarou à AFP uma mulher de 30 anos de Kermanshah, no oeste do Irã. “O pão está sendo racionado. A população está muito tensa e indignada”, acrescentou.
Em Israel, as autoridades pediram aos moradores que busquem refúgio contra os mísseis iranianos que continuam atingindo o país. Ao menos duas pessoas ficaram feridas no norte do território, segundo o Magen David Adom, equivalente local da Cruz Vermelha.
No Líbano, outra frente de batalha, o Exército israelense anunciou que atingiu em Beirute um integrante do movimento libanês pró-iraniano Hezbollah, que reivindicou ataques com foguetes contra o território israelense.
No Golfo, também prossegue a sucessão de ataques iranianos contra monarquias petrolíferas, incluindo países que abrigam bases americanas. Jornalistas da AFP ouviram explosões em Dubai, e o centro da cidade estava coberto por uma nuvem de fumaça nesta sexta-feira. A Arábia Saudita afirmou ter destruído 45 drones, enquanto em Omã duas pessoas morreram após o impacto de um drone, segundo a agência de notícias local.
O governo iraniano mantém o discurso de desafio desde o início do conflito. Na quinta-feira, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, advertiu Trump de que a guerra “não pode ser vencida com alguns tuítes”. “Não vamos descansar até que você se arrependa deste grave erro de cálculo”, afirmou, após Mojtaba Khamenei fazer sua primeira declaração pública como novo líder supremo do país.
Khamenei, que teria ficado ferido no ataque que matou seu pai, não apareceu em público desde sua nomeação.
Resposta “mais forte”
Em sua mensagem, lida por um apresentador da televisão estatal, Mojtaba Khamenei pediu o fechamento das bases americanas em todo o Oriente Médio, afirmou que o Irã é capaz de semear o caos com a redução da oferta de petróleo e defendeu o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
O novo líder supremo “não pode mostrar o rosto em público”, ironizou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que afirma que o objetivo da guerra é dar aos iranianos os meios para “derrubar o regime”.
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico iraniano, declarou estar preparada para uma longa campanha, mesmo que isso signifique “destruir” a economia mundial. Nesta sexta-feira, o grupo também advertiu que qualquer nova manifestação contra o regime enfrentará uma resposta “mais forte” do que em janeiro, quando milhares de pessoas morreram durante a repressão aos protestos contra o governo.