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Israel bombardeia Gaza após disparos de foguetes contra Tel Aviv

Israel bombardeia Gaza após disparos de foguetes contra Tel Aviv

O céu de Gaza iluminado por um bombardeio aéreo noturno de Israel, no dia 14 de março de 2019 - AFP

Israel confirmou nesta sexta-feira (15) que atacou cerca de 100 alvos do Hamas na Faixa de Gaza em retaliação ao lançamento de foguetes do território palestino contra a área de Tel Aviv.

Esta ação militar ocorre após duas semanas de crescente tensão entre os dois lados e num momento em que Israel vive a campanha política para as eleições de 9 de abril.

Apesar do clima beligerante, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o Hamas parecem querer evitar uma quarta guerra na Faixa de Gaza, onde a calma regressou para a região na manhã desta sexta.

A ONU e representantes egípcios estavam em contato com ambas partes para “evitar que a situação saia do controle”, de acordo com uma fonte próxima aos observadores internacionais.

Os organizadores dos protestos na fronteira entre Gaza e Israel, que começaram há um ano, anunciaram que pretendem cancelar o movimento após a violência que tomou conta das manifestações realizadas nesta sexta-feira.

As forças israelenses registraram dez disparos de foguetes desde o domingo, sendo que alguns deles foram interceptados pelas baterias de defesa antiaérea.

Não foram contabilizados feridos, mas os artefatos lançados ativaram as sirenes nas localidades israelenses onde foram abertos abrigos antiaéreos.

Em represália, os aviões de combate e helicópteros de ataque bombardearam cerca de 100 posições do Hamas nas primeiras horas desta sexta, entre elas uma importante fábrica de foguetes subterrânea, informaram os militares israelenses.

As explosões foram ouvidas durante toda a noche no território que fica entre Israel, Egito e o Mediterrâneo.

Quatro palestinos ficaram feridos nos ataques em Gaza, informou o ministério da Saúde do enclave.

O Hamas e a Jihad Islâmica negaram a autoria dos lançamentos dos foguetes contra Tel Aviv, o que leva a suspeitar que a ação seria de responsabilidade de grupos rivais ou dissidentes.

Apesar do posicionamento dos dois grupos, Israel acusou o Hamas e o apontou como único responsável pelo que ocorre no território que controla.

Para o governo israelense, o bombardeio da região de Tel Aviv, a dezenas de quilômetros de Gaza, é muito grave.

Em meio a uma campanha em busca da reeleição, na qual a questão da segurança é um dos principais temas de sua plataforma, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu convocou uma reunião urgente com os integrantes do governo responsáveis da área para analisar os ataques.

No domingo passado, Netanyahu advertiu que, caso seja necessário, autorizaria uma “importante operação” militar na região.

Um de seus adversários, o ministro da Educação, Naftali Bennett, considerou “consternante” a resposta israelense, que contou com o apoio dos Estados Unidos, seu grande aliado.

“Israel tem o direito de proteger seus cidadãos” de “terroristas (…) armados e financiados por seus marionetes em Teerã”, postou no Twitter o secretário de Estado americano, Mike Pompeo.

– Dissipar as tensões –

A imprensa em Israel, que parece alimentada por fontes desejosas da distensão, indicava que os foguetes do tipo Fajr poderiam ter sido disparados por erro contra Tel Aviv durante uma manutenção do equipamento bélico.

Já os principais grupos palestinos decidiram respeitar a trégua se o governo israelense “cessar seus atos de agressão”, disse à AFP um porta-voz da Jihad Islâmica. A ONU e o Egito dedicaram esforços para mediar a situação entre as partes.

O comitê que organiza todas as sextas o protesto conhecido como a “Grande marcha do regresso”, anunciou a suspensão de todas manifestações previstas para o dia ao longo da fronteira com Israel. Esta é a primeira vez que uma decisão como esta acontece desde março de 2018, quando começou o movimento que denuncia o bloqueio israelense e luta pelo direito de regresso dos refugiados palestinos expulsos que deixaram suas terras quando foi criado o Estado de Israel em 1948.

Desde março de 2018 mais de 250 moradores de Gaza foram mortos por disparos israelenses, a maioria durante esses protestos em confrontos com as forças de segurança de Israel, que registraram apenas duas baixas no mesmo período.

A situação econômica em Gaza, atingida pela pobreza, a escassez de alimentos e o desemprego, segue preocupando, aumentando assim a tensão na região. Forças do Hamas dispersaram na noite de quinta-feira manifestantes que exigiam melhores condições de vida.