Israel ataca Teerã e avança com tropas no sul do Líbano

Arábia Saudita confirmou ataque em Riad e disse que danos foram limitados. Acompanhe as últimas notícias sobre o conflito no Irã.
Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã neste fim de semana miraram lideranças iranianas e mataram o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad e vários chefes militares.
O Irã prometeu vingar a morte de Khamenei e lançou mísseis contra Israel e bases militares americanas, portos e aeroportos no Golfo Pérsico, atingindo países aliados dos EUA na região.
Guarda Revolucionária iraniana diz ter destruído base dos EUA no Bahrein.
Um conselho interino foi formado para governar o Irã após a morte de Khamenei, incluindo o presidente Massoud Pezeshkian, o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Eje, e o aiatolá Alireza Arafi. O ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi, disse que um novo líder supremo será escolhido em "um ou dois dias".
O presidente dos EUA, Donald Trump, diz que foi procurado pela nova liderança iraniana e que está disposto a negociar. Mas já declarou que a ofensiva americana deve durar quatro ou mais semanas, e não descartou enviar tropas ao país.
Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã e uma das figuras de oposição mais proeminentes do país no exílio, voltou a se apresentar como potencial futuro líder.
No Golfo Pérsico, empresas petrolíferas suspenderam o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, que o Irã anunciou ter fechado. A medida pode ter impactos devastadores para a economia global.
Total de vítimas é de cerca de 800 em sete países, a maioria no Irã.

Acompanhe abaixo os últimos desdobramentos dos ataques dos EUA e de Israel e a resposta do Irã:

Israel diz ter atacado prédios governamentais em Teerã
O Exército de Israel bombardeou na noite de segunda-feira um complexo governamental no centro de Teerã, segundo informou nesta terça-feira em comunicado, lançando "dezenas de munições" contra o gabinete presidencial, o edifício do Conselho Supremo de Segurança Nacional e um instituto de treinamento de oficiais.

"Ontem à noite, a Força Aérea lançou um ataque contra edifícios governamentais e de segurança dentro do complexo de comando do regime terrorista iraniano, no coração de Teerã", afirma um comunicado militar sobre a operação.

Estas instalações estão situadas a apenas centenas de metros do complexo onde foi morto, no sábado, o líder supremo Ali Khamenei, junto a outras autoridades.

Os bombardeios desta segunda-feira tiveram como alvo o gabinete presidencial e a sede do Conselho Supremo de Segurança Nacional, entidade encarregada da tomada de decisões em matéria de segurança do regime.

No total, o Exército israelense atacou aproximadamente 600 alvos no Irã, segundo seu próprio balanço. Teerã concentrou 56% dos ataques registrados, seguida pelas províncias do Curdistão (oeste) e Hormozgan (sul), no Estreito de Ormuz. Entre os objetivos atingidos figuram instalações militares, edifícios residenciais e o cais Shahid Bahonar, em Bandar Abbas, cidade portuária do sul do Irã situada às margens do Golfo Pérsico.

md/cn (EFE, ots)

Israel avança com tropas no sul do Líbano e continua bombardeio em Beirute
O Líbano foi arrastado mais profundamente para a guerra no Oriente Médio nesta terça-feira, quando o grupo libanês Hezbollah, apoiado pelo Irã, lançou mísseis contra Israel pelo segundo dia consecutivo e Israel enviou tropas para o sul do país e lançou ondas de ataques aéreos.

Vizinho de Israel ao norte e palco de inúmeros conflitos entre Israel e o Hezbollah, o Líbano havia evitado os efeitos colaterais do ataque EUA-Israel ao Irã até segunda-feira, quando o Hezbollah abriu fogo com drones e mísseis.

Com dezenas de mortos em ataques aéreos retaliatórios, a entrada do Hezbollah no conflito acirrou as divisões de longa data no Líbano sobre seu status como grupo armado – a única facção libanesa a manter suas armas após a guerra civil de 1975-90.

Na segunda-feira, o governo tomou a medida sem precedentes de proibir as atividades militares do Hezbollah. O jornal pró-Hezbollah Al-Akhbar condenou a medida na terça-feira como uma "capitulação às imposições, que poderia até levar ao início de uma guerra civil".

Colunas de fumaça se elevavam dos subúrbios do sul de Beirute, controlados pelo Hezbollah, enquanto Israel lançava novos ataques aéreos. Milhares de libaneses fugiram de suas casas em áreas que sofreram o impacto de uma grande guerra entre Israel e o Hezbollah em 2024. As Nações Unidas afirmaram que, até segunda-feira, cerca de 29 mil pessoas, incluindo 9 mil crianças, haviam fugido.

Um porta-voz da agência da ONU para refugiados disse que 30 mil libaneses tiveram que deixar suas casas e foram registrados em abrigos coletivos, enquanto "muitos outros dormiram em seus carros à beira das estradas".

Os militares israelenses disseram ter enviado tropas adicionais para o sul do Líbano durante a noite, alegando que o objetivo era ocupar posições defensivas para se protegerem de qualquer possível ataque do Hezbollah. "Estamos na área da fronteira apenas de forma defensiva para impedir ataques contra civis e pontos estratégicos importantes", disse o tenente-coronel Nadav Shoshani.

O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou em comunicado que havia autorizado o avanço das tropas e a tomada de controle de posições adicionais. Ele disse que as forças israelenses foram autorizadas "a avançar e assumir o controle de posições estratégicas adicionais no Líbano, a fim de evitar ataques a comunidades israelenses na fronteira".

Na noite de segunda-feira, os militares israelenses ordenaram a evacuação dos moradores de toda a faixa fronteiriça do sul do Líbano. Uma fonte do Exército libanês afirmou que as forças israelenses avançaram a partir da região de Kfar Kila, numa aparente tentativa de "estabelecer um amplo cinturão de segurança no sul do Líbano".

Uma fonte de segurança libanesa afirmou que as tropas israelenses estavam realizando incursões em algumas partes da fronteira. Testemunhas disseram que o Exército libanês havia se retirado de pelo menos sete posições operacionais avançadas ao longo da fronteira.

Israel manteve algumas tropas no sul em várias posições no topo de colinas após o cessar-fogo na guerra de 2024.

O sul, predominantemente muçulmano xiita, há muito tempo é um importante reduto do Hezbollah, onde o grupo obteve apoio político e posicionou armamentos antes do conflito de 2024. O exército libanês entrou na área e apreendeu seus depósitos de armas desde o conflito, do qual o Hezbollah saiu bastante enfraquecido.

O Hezbollah anunciou três ataques separados na terça-feira, usando drones e mísseis, e afirmando que estes tinham como alvo instalações militares no norte de Israel. Um míssil disparado do Líbano atingiu uma casa no norte de Israel, informou a mídia israelense. O serviço de ambulâncias de Israel disse que um homem foi tratado por ferimentos causados ​​por estilhaços de vidro.

O presidente libanês, Josef Aoun, disse que os foguetes disparados contra Israel na segunda-feira, vindos do Líbano, estavam fora da zona da fronteira sul onde o Exército declarou seu controle em janeiro. O Ministério da Saúde libanês informou na segunda-feira que 52 pessoas foram mortas em ataques israelenses no Líbano e mais de 150 ficaram feridas. Não houve atualização na terça-feira.

Durante a noite, um ataque aéreo israelense atingiu a sede da emissora Al-Manar, do Hezbollah, em Beirute. Os militares israelenses relataram mais ataques aéreos em Beirute na terça-feira, afirmando ter atingido "centros de comando, depósitos de armas e componentes de comunicação via satélite pertencentes à sede de inteligência do Hezbollah em Beirute".

md/cn (Reuters, AP, ots)

Drone atinge reservatório de combustível em porto no Omã
Drones atingiram um reservatório de combustível em Omã nesta terça-feira (03/03), enquanto nos Emirados Árabes Unidos uma zona de armazenamento de petróleo foi atingida, em resposta aos ataques dos EUA e de Israel, que prosseguem com a campanha do Irã contra a economia do Golfo.

Os ataques ocorreram depois que o Irã ampliou seus alvos para incluir infraestrutura na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Catar, onde a empresa estatal de energia suspendeu a produção de GNL, fazendo com que os preços da energia na Europa disparassem.

Vários drones também alvejaram o porto de Duqm, na costa leste de Omã, de acordo com uma fonte de segurança citada pela agência oficial de notícias de Omã. "Os danos resultantes foram controlados" e não foram registadas vítimas, disse a fonte. O ataque é o segundo ao porto em três dias.

Nos Emirados Árabes Unidos, destroços de um drone interceptado causaram um incêndio em uma zona de armazenamento e comercialização de petróleo no emirado de Fujairah na terça-feira, disseram as autoridades. Não houve relatos de feridos, o incêndio foi controlado e as operações normais na área foram retomadas.

cn (AFP, Lusa)

Quase 800 mortos no Irã após ataques de EUA e Israel, diz Crescente Vermelho
Pelo menos 787 pessoas morreram no Irã desde o início dos ataques aéreos conjuntos entre EUA e Israel no sábado, informou a Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano nesta terça-feira.

Em uma publicação no Telegram, a organização humanitária afirmou que os ataques aéreos atingiram 153 cidades em todo o Irã. O número de mortos provavelmente aumentará, já que operações de busca e resgate continuam em vários locais, disse o grupo.

A Hengaw, uma organização de direitos humanos com sede na Noruega, afirmou na segunda-feira que mais de 1.500 pessoas morreram desde o início da escalada de violência, quatro dias atrás.

Cerca de 1.300 dessas vítimas eram membros das Forças Armadas, enquanto cerca de 200 eram civis.

De acordo com reportagens da mídia israelense, citando informações da inteligência israelense, a campanha conjunta entre EUA e Israel matou mais de mil membros da Guarda Revolucionária do Irã desde o início dos ataques no sábado.

md/cn (AFP, Reuters, AP)

Netanyahu diz que a guerra com o Irã não será "interminável"
O primeiro‑ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã não será "interminável" em uma entrevista à emissora americana Fox News.

"Vocês não vão ter uma guerra interminável", disse Netanyahu na entrevista transmitida nesta segunda‑feira. "Esta será uma ação rápida e decisiva." Ele posteriormente esclareceu que o conflito "pode levar algum tempo, mas não vai durar anos. Não é uma guerra sem fim".

Netanyahu também afirmou que Israel e os Estados Unidos precisaram agir porque o Irã vinha construindo novos locais para armas nucleares que se tornariam impossíveis de atacar dentro de alguns meses.

Netanyahu alegou que o Irã vinha trabalhando em novos locais de armamento desde junho de 2025, quando os EUA e Israel lançaram ataques coordenados contra o país. "Eles começaram a construir novos locais, novos lugares, bunkers subterrâneos que tornariam seus programas de mísseis balísticos e de bombas atômicas imunes dentro de meses", disse Netanyahu.

O premiê israelense não apresentou provas para sustentar sua alegação. "Tivemos que tomar essa atitude agora e a tomamos", disse Netanyahu.

Fotos de satélite analisadas pela agência de notícias Associated Press mostraram atividade limitada em dois locais nucleares no Irã antes da guerra. Analistas disseram que Teerã provavelmente estava avaliando os danos dos ataques americanos de 2025 e possivelmente recuperando o que restara.

md/cn (AP, Reuters, AFP)

Guarda Revolucionária iraniana diz ter destruído base dos EUA no Bahrein
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que sua Marinha destruiu o prédio do comando principal e a sede de uma base aérea dos EUA no Bahrein, no que descreveu como a "Operação Promessa da Verdade 4".

Neste ataque, 20 drones e três mísseis atingiram os alvos, destruindo o principal edifício de comando e os quartéis da base aérea dos Estados Unidos, além de incendiar seus depósitos de combustível", afirmou a Guarda Revolucionária em comunicado.

A informação iraniana situou os ataques na região de Sheikh Isa, no norte da pequena ilha do Golfo, e os contabilizou como a 14ª onda ofensiva.

O anúncio do ataque foi feito na manhã desta terça-feira, através de um comunicado da Guarda Revolucionária divulgado pela televisão estatal iraniana.

O Departamento de Estado dos EUA e a Casa Branca não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Ao longo desta noite e madrugada, o Irã lançou ataques contra países aliados dos Estados Unidos na região. Horas antes, a própria Guarda Revolucionária informou sobre a 13ª onda de ataques contra bases americanas em países como Kuwait e Emirados Árabes Unidos, bem como contra Israel.

O Ministério da Defesa saudita também informou ter interceptado oito drones ao longo da noite, da mesma forma que o governo do Catar, que afirma ter interceptado 98 mísseis balísticos de um total de 101 recebidos, e 24 drones de 39 desde o início da resposta iraniana.

md/cn (Reuters, AP)

Drones atingem embaixada dos EUA na Arábia Saudita
A Arábia Saudita afirmou que a embaixada dos Estados Unidos na capital do país, Riad, foi atingida por dois drones. O ataque resultou em um incêndio limitado e alguns danos materiais, disse o Ministério da Defesa saudita em uma postagem em árabe no X, na manhã desta terça‑feira (03/03).

Agências de notícias citaram testemunhas descrevendo uma forte explosão e uma leve fumaça saindo da embaixada. O local estava vazio no momento do ataque.

A embaixada recomendou que seus cidadãos na capital permanecessem em suas casas assim como na cidade portuária de Jeddah, no oeste, e na cidade de Dhahran, no leste, pedindo que cidadãos americanos "evitem a embaixada até novo aviso devido ao ataque à instalação".

O complexo da embaixada dos EUA no Kuwait também teria sido atingido na segunda‑feira, com relatos de fumaça preta subindo acima do local. Essa embaixada também está fechada, com o Departamento de Estado dos EUA alertando: "Não venham à embaixada".

Questionado sobre a resposta ao ataque, Trump disse: "Vocês saberão em breve".

md/cn (EFE, Reuters, AP)

EUA instruem americanos a deixar "imediatamente" países no Oriente Médio
O Departamento de Estado dos EUA fez um apelo, nesta segunda‑feira (02/03), para que os cidadãos americanos deixem "imediatamente" mais de uma dúzia de países no Oriente Médio em meio aos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã.

De acordo com a secretária-adjunta de assuntos consulares da pasta, Mora Namdar, os americanos foram orientados a deixar esses locais utilizando meios de transporte comerciais.

Os países listados são Bahrein, Egito, Irã, Iraque, Israel, Cisjordânia e Gaza, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Catar, Arábia Saudita, Síria, Emirados Árabes Unidos e Iêmen.

fcl (reuters)

Estreito de Ormuz está fechado, anuncia chefe da Guarda Revolucionária do Irã
O comandante da Guarda Revolucionária do Irã, Ahmad Vahidi, anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, importante via de escoamento do petróleo produzido no Oriente Médio. Segundo a imprensa estatal, o Irã está pronto para atacar qualquer embarcação que tentar passar pelo trecho entre o golfo de Omã e o golfo Pérsico.

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), por sua vez, negou à emissora Fox News que o estreito tenha sido bloqueado.

De acordo com a agência Reuters, um eventual fechamento de Ormuz poderá impactar cerca de um quinto do escoamento do petróleo mundial, elevando significativamente o preço do barril do combustível fóssil.

No início desta segunda-feira (02/03), primeiro dia de negociação após o início do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, o preço do Brent abriu em alta de 13%. No decorrer do pregão, a alta foi revertida em partes, atingindo 6% no início da tarde.

No entanto, operadores do mercado petrolífero afirmam que o barril pode ultrapassar os 100 dólares, caso a guerra siga pelas próximas semanas e o Estreito de Ormuz sofra um bloqueio de forças iranianas. Uma elevação no preço do combustível fóssil pode impactar toda a cadeia produtiva mundial, refletindo em taxas mais altas de inflação.

fcl/ra (AFP, reuters, ots)

Sobe para seis o número de militares americanos mortos no conflito
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom, na sigla em inglês) anunciou a morte de mais dois militares do país durante o conflito com o Irã. Com isso, chega a seis o número de membros das Forças Armadas americanas mortos na guerra.

"Seis militares americanos foram mortos em combate. As forças americanas recuperaram recentemente os restos mortais de dois militares que estavam desaparecidos em uma instalação atingida durante os ataques iniciais do Irã na região", informou o Centcom pela rede social X neste domingo, sem dar mais detalhes.

"As identidades dos falecidos serão mantidas em sigilo até 24 horas após a notificação dos familiäres", acrescentou o órgão.

De acordo com a CNN, as baixas americanas ocorreram num ataque de retaliação iraniano ao Porto de Shuaiba, no Kuwait, país aliado de Washington. Mais cedo, o secretário americano de Defesa, Pete Hegseth, confirmou que a ofensiva iraniana atingiu um "centro de operações táticas fortificado".

O Kuwait também atualizou para dois o número de militares do país mortos no conflito, acrescentando um sargento da marinha local às baixas durante uma "operação". Outro militar kuwaitiano já havia sido confirmado anteriormente nesta segunda-feira (02/03).

fcl (afp, reuters, ots)

Conflito entre EUA, Israel e Irã já deixou mais de 600 mortos em sete países
Os ataques de Israel e Estados Unidos ao Irã e ao Líbano, e a subsequente retaliação iraniana, deixaram mortos em pelo menos sete países: Irã (555), Líbano (52), Iraque (4), Emirados Árabes Unidos (3), Kuwait (1), Bahrein (1) e Israel (10) — sendo os cinco últimos aliados de Washington.

Jordânia, Catar, Arábia Saudita, Chipre e Omã, igualmente aliados da Casa Branca, também foram sofreram ataques, mas até agora não há confirmações sobre mortos nessas nações.

De acordo com o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes, os três mortos no país eram cidadãos do Paquistão, Nepal e Bangladesh que foram vítimas de drones iranianos na capital Abu Dhabi, no domingo (01/03).

No Kuwait, o Ministério da Saúde local registrou a morte de um oficial americano na base de Ali al-Salem, também no domingo. Segundo a CNN, outros dois soldados dos EUA também morreram na ofensiva de retaliação iraniana, mas esses números não foram confirmados oficialmente. Nesta segunda (02/03), o Ministério da Defesa do Kuwait informou que "diversos" aviões de guerra americanos caíram no país após serem abatidos por engano, mas que todos os tripulantes sobreviveram.

No Iraque, bombas da aliança EUA-Israel teriam matado quatro membros das Forças de Mobilização Popular, grupo paramilitar apoiado pelo Irã. As informações foram divulgadas pelo Media Directorate, veículo de comunicação da milícia iraquiana, e citadas pela CNN.

No Bahrein, uma pessoa morreu ao ser atingida por destroços de um míssel na Cidade Industrial Salman, informou a imprensa estatal do país.

Os 555 mortos no Irã foram confirmados pelo Crescente Vermelho nesta segunda, e os dez em Israel pelo serviço nacional de emergência (Magen David Adom). No Líbano, ataques aéreos israelenses mataram 52 pessoas no Líbano e em Beirute, de acordo com o Ministério da Saúde local.

fcl/ra (ots)

Trump não descarta enviar soldados ao Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não descarta enviar soldados americanos para uma operação terrestre no Irã "se houver necessidade".

"Não tenho qualquer hesitação em relação ao envio de tropas em solo — como todo presidente diz: 'Não haverá tropas em solo.' Eu não digo isso", disse Trump em entrevista ao jornal The New York Post, publicada nesta segunda-feira (02/03). "Eu digo que 'provavelmente não serão necessárias' [ou] 'se forem necessárias'."

O presidente americano acrescentou que a guerra com o Irã pode durar menos de quatro semanas, como havia sido planejado de início. "Está andando muito rápido", indicou ele ao jornal de Nova York. "Estamos dentro do prazo, bem adiantados em termos de liderança — 49 [líderes iranianos] mortos — e isso, como sabem, levaria, segundo nossos cálculos, pelo menos quatro semanas, mas conseguimos em um dia", completou o republicano.

Ataques de EUA e Israel ao Irã foram lançados no último sábado (28/02) na capital Teerã e em outras cidades do país asiático. Entre os mortos está o aiatolá Ali Khamenei, líder religioso que comandava o governo iraniano desde 1989. De acordo com informações do Crescente Vermelho, pelo menos 555 pessoas morreram na ofensiva desde então, incluindo civis e lideranças.

fcl/ra (ots)

Embaixador do Brasil no Irã revela dificuldade em se comunicar com brasileiros
O embaixador do Brasil no Irã, André Veras Guimarães, afirmou estar enfrentando dificuldades para conseguir se comunicar e obter informações sobre a comunidade brasileira, em meio aos ataques dos EUA e de Israel ao país.

Em entrevista à rádio CBN, ele estimou que cerca de 200 brasileiros estejam no Irã, sendo que muitos já deixaram Teerã por recomendação das autoridades e outros permanecem em suas casas. Ele explicou que todo o sistema de comunicação está desconectado, e a única forma de contato com o exterior tem sido por meio de comunicação satelital.

"Não temos informações das autoridades iranianas, que também não divulgam dados, possivelmente por estratégia", contou Guimarães. "Os ataques são generalizados na cidade; no sul, houve uma grande ofensiva agora, e isso ocorre praticamente todos os dias, às vezes duas vezes por dia. Muitas vezes sentimos o impacto mesmo quando a explosão acontece a cerca de um quilômetro de distância, por causa do deslocamento de ar."

Ele disse que embaixada brasileira mantém canais ativos para orientar e prestar assistência aos brasileiros, mas que o contato tem sido feito de forma limitada, enquanto a população permanece recolhida.

"Temos um canal de comunicação que é por WhatsApp e por telefone, telefone ainda de linha aqui, o fixo ainda funciona, nós temos um plantão na embaixada, eu estou próximo também da embaixada. Se alguém chegar lá num horário fora do normal, eu tenho como atender a pessoa, mas as pessoas estão em suas casas, ninguém está saindo às ruas, porque há também um grande contingente de militares nas ruas e as pessoas têm medo de serem, por alguma forma, confundidos ou percebidos como um inimigo e serem feridas por conta de um engano."

"Acabei de saber que a residência do embaixador do México foi muito danificada por estar próxima de um dos ataques e isso é só para mostrar que os ataques, mesmo sendo cirúrgicos, eles não são jogos de videogame, eles atacam e matam pessoas, sejam militares, sejam civis e, aparentemente, isso se torna uma normalidade."

"Embora [exista] toda essa noção que se criou de que o Irã é um estado exportador de violência, exportador de terrorismo, eles não são um povo acostumado a ser atacado. Os prédios aqui não têm proteção, não são bunkers como tem em Israel", contou Guimarães à CBN.

"Eles têm uma tradição de arquitetura e de engenharia muito grande. Então, os prédios são muito modernos, prédios com muito vidro. As pessoas estão tentando se abrigar da melhor maneira possível, mas ninguém sabe qual será o alvo e até quando se deve buscar uma estação de metrô ou um abrigo subterrâneo", disse, relatando que não há sistema de sirenes de alerta de ataques.

rc (ots)

EUA enviarão mais soldados ao Oriente Médio, diz general
O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas americanas, disse nesta segunda-feira que levará tempo para atingir os objetivos militares no Irã e que mais baixas americanas são esperadas, acrescentando que os Estados Unidos continuarão a enviar tropas para o Oriente Médio mesmo após um enorme aumento da presença militar na região.

Caine afirmou que os ataques das forças americanas "resultaram no estabelecimento da superioridade aérea local. Essa superioridade aérea não só aumentará a proteção de nossas forças, como também lhes permitirá continuar o trabalho sobre o Irã".

A mobilização já inclui milhares de militares de todos os ramos, incluindo forças da Reserva e da Guarda Nacional, além de centenas de caças, dezenas de aviões-tanque de reabastecimento, dos grupos de ataque dos porta-aviões Abraham Lincoln e Gerald R. Ford e seus esquadrões aéreos.

O general afirmou que, assim como na operação que lançou bombas antibunker de grande porte contra instalações nucleares iranianas no ano passado, a Operação Fúria Épica também utilizou bombardeiros B-2, que realizaram uma viagem de ida e volta de 37 horas.

Caine mencionou diversas vezes o uso de tecnologias cibernéticas nos ataques, que, segundo ele, "interromperam efetivamente as comunicações e as redes de sensores", deixando "o adversário sem a capacidade de coordenar ou responder de forma eficaz".

Sem dar detalhes específicos, Caine disse que as Forças Armadas dos EUA "impulsionaram efeitos sincronizados e em camadas, projetados para interromper, degradar, negar e destruir a capacidade do Irã de conduzir e manter operações de combate no lado americano".

rc (AFP, AP)

Hegseth: guerra não é tentativa de "construir a democracia" no Irã
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou em coletiva de imprensa no Pentágono que por "47 longos anos", o regime iraniano travou uma "guerra selvagem e unilateral contra os Estados Unidos".

O chefe do Pantágono observou que isso ocorreu "com o sangue do nosso povo, carros-bomba em Beirute, ataques com foguetes contra nossos navios, assassinatos em nossas embaixadas, bombas à beira de estradas no Iraque e no Afeganistão".

"Não começamos esta guerra, mas, sob o governo do presidente Trump, estamos terminando." Hegseth disse que as operações militares contra o Irã não levariam a uma "guerra sem fim" e que o objetivo é destruir os mísseis, a Marinha e outras infraestruturas de segurança de Teerã.

"Estamos os atacando cirurgicamente, de forma esmagadora e sem pedir desculpas", disse o secretário.

Hegseth afirmou que a guerra contra o Irã não é uma tentativa de construir a democracia na República Islâmica.

"Sem regras de engajamento estúpidas, sem atoleiro de construção nacional, sem exercício de construção democrática. Sem guerras politicamente corretas. Lutamos para vencer e não desperdiçamos tempo nem vidas", ressaltou o chefe do Pentágono.

rc/md (Reuters, AFP)