Israel anuncia que ocupará partes do sul do Líbano após guerra

Israel pretende ocupar partes do sul do Líbano assim que acabar a guerra contra o grupo islamista Hezbollah, anunciou nesta terça-feira (31) o ministro da Defesa Israel Katz, um plano denunciado pelos libaneses como uma tentativa de deslocar centenas de milhares de pessoas.

“Ao final da operação, as IDF [Forças de Defesa de Israel, na sigla em inglês] se estabelecerão em uma zona de segurança dentro do Líbano, em uma linha defensiva contra os mísseis antitanque, e manterão o controle de segurança de toda a região até o Litani”, o rio que corre quase 30 km ao norte da fronteira entre os dois países, afirmou Katz em um vídeo divulgado por seu gabinete.

“O retorno ao sul do Litani de mais de 600.000 habitantes do sul do Líbano que foram deslocados para o norte será completamente impedido enquanto não forem garantidas a segurança e a proteção dos habitantes do norte” de Israel, acrescentou.

“Todas as casas das localidades [libanesas] adjacentes à fronteira [com Israel] serão demolidas seguindo o modelo de Rafah e Beit Hanoun, em Gaza, com o objetivo de eliminar de uma vez por todas as ameaças ao longo da fronteira que pesam sobre os habitantes do norte”, exemplificou Katz, ao se referir a duas cidades da Faixa de Gaza devastadas pelas operações militares.

O ministro da Defesa do Líbano, o general de divisão Michel Menassa, afirmou que as declarações de Katz, “já não são meras ameaças”, mas refletem “uma clara intenção de impor uma nova ocupação do território libanês, deslocar à força centenas de milhares de cidadãos e destruir sistematicamente vilarejos e cidades do sul”.

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, denunciou que a movimentação de tropas de Israel no Líbano constitui uma “invasão ilegal” que viola a “integridade e soberania” de seu território.

O Líbano foi arrastado para a guerra no Oriente Médio depois que o Hezbollah atacou Israel em represália pela morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei, no primeiro dia da ofensiva militar conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Desde então, os ataques israelenses ao Líbano mataram mais de 1.200 pessoas, segundo o Ministério da Saúde. O Exército israelense afirma ter eliminado “850 terroristas” no Líbano.

Katz tem multiplicado suas declarações belicosas contra o Líbano e os libaneses.

A Human Rights Watch (HRW) informou no domingo que expressou, em uma carta dirigida ao ministro, sua “profunda preocupação pelas declarações realizadas recentemente por autoridades israelenses que minam o respeito ao direito internacional humanitário”.

No texto, a ONG reprova expressamente declarações feitas em 16 de março com ameaças de impedir o retorno das pessoas que tinham fugido da região ao sul do Litani.

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