Israel anuncia "próxima fase" da guerra contra o Irã

Israel anuncia "próxima fase" da guerra contra o Irã

"SegundoPaís sustenta ofensiva contra Teerã, que responde com baterias de mísseis. Trump prevê aumentar bombardeios e diz que quer influir na escolha do novo líder iraniano e descarta filho de Khamenei.
Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no último fim de semana miraram lideranças iranianas e mataram o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad e vários chefes militares.
O Irã prometeu vingar a morte de Khamenei e lançou mísseis contra Israel e bases militares americanas, portos e aeroportos no Golfo Pérsico, atingindo países aliados dos EUA na região.
Guarda Revolucionária iraniana diz ter destruído base dos EUA no Bahrein.
Um conselho interino foi formado para governar o Irã após a morte de Khamenei e até a eleição de um novo líder supremo. Colegiado inclui o presidente Massoud Pezeshkian, o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Eje, e o aiatolá Alireza Arafi.
O presidente dos EUA, Donald Trump, diz que foi procurado pela nova liderança iraniana, mas que agora "é tarde demais". Segundo ele, a ofensiva americana deve durar quatro ou mais semanas, e invasão terrestre não está descartada.
Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã e uma das figuras de oposição mais proeminentes do país no exílio, voltou a se apresentar como potencial futuro líder. Trump, contudo, disse preferir nome "de dentro do país".
No Golfo Pérsico, empresas petrolíferas suspenderam o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, que o Irã anunciou ter fechado. A medida pode ter impactos devastadores para a economia global. Trump reagiu prometendo escoltar petroleiros, e França mobilizou porta-aviões para defender "interesses econômicos".
Total de vítimas já passou de 1.100 em sete países, a maioria no Irã.

Acompanhe abaixo os desdobramentos dos ataques dos EUA e de Israel e a resposta do Irã:

Transmissão ao vivo encerrada
Leia mais sobre os desdobramentos do conflito de EUA e Israel contra o Irã aqui.

Guerra no Irã pode beneficiar Rússia na Ucrânia
A consequências da guerra de EUA e Israel contra o Irã v são sentidas muito além da região e chegam, inclusive, na Ucrânia.

O país do Leste Europeu, que desde 2022 luta contra a invasão da Rússia, teme ser deixado em segundo plano por causa dos desdobramentos no Oriente Médio, além de poder ter que lidar com menos recursos para armamentos e um novo choque de preços causado pelo recuo na oferta de petróleo em todo o mundo.

Confira aqui os possíveis reflexos que a guerra entre EUA e Israel contra o Irã pode trazer para a Ucrânia.

Israel anuncia "próxima fase" da guerra contra o Irã
As forças armadas israelenses afirmaram que estão preparando a "próxima fase" da guerra no Irã.

"Nesta fase, desmantelaremos ainda mais o regime e suas capacidades militares. Temos surpresas adicionais pela frente, que não pretendo revelar", afirmou o chefe militar israelense Eyal Zamir em um discurso televisionado.

Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse que a "quantidade de poder de fogo sobre o Irã e Teerã está prestes a aumentar drasticamente".

Em comentários publicados pelo jornal israelense Haaretz, Zamir também fez um balanço da guerra até o momento.

Segundo ele, as forças israelenses dispararam 6 mil projéteis e destruíram 80% das defesas aéreas e 60% dos lançadores de mísseis balísticos do Irã. Já os americanos dizem ter atingido quase 200 iranianos nas últimas 72 horas, e afundado 30 navios.

Mais de mil pessoas morreram desde o início do conflito, a maioria no Irã.

gq (DW)

Trump apoia ofensiva curda a partir do Iraque
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse à agência de notícias Reuters que apoiaria os grupos armados curdos estacionados na região montanhosa da fronteira entre o Irã e o Iraque para lançarem uma ofensiva terrestre.

"Acho maravilhoso que eles queiram fazer isso, eu seria totalmente a favor", disse ele.

Uma coalizão de vários grupos curdos da oposição do Irã tem mantido contato com os EUA sobre uma ofensiva para atacar o oeste do país após o enfraquecimento das forças armadas iranianas, de acordo com a Reuters.

Os curdos estão divididos entre o Irã, o Iraque, a Turquia e a Síria. É somente no Iraque, onde agora gozam de autonomia de fato, que não estão sujeitos à repressão do governo.

No passado, os curdos sírios foram aliados importantes dos EUA na luta contra o chamado "Estado Islâmico", mas perderam o apoio de Washington depois que o ex-combatente islâmico Ahmed al-Sharaa se tornou presidente da Síria.

gq (DW)

Trump quer influir na escolha do novo líder do Irã e descarta filho de Khamenei
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse ao veículo americano Axios nesta quinta-feira que espera ter um papel na escolha do próximo líder do Irã após o aiatolá Ali Khamenei ter sido morto em ataques no início do sábado.

Trump descartou a possibilidade do filho de Khamenei, Mojtaba Khamenei, assumir o cargo. Ele que é visto como um dos favoritos entre os membros restantes do regime.

"O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz ao Irã", disse Trump.

"O filho de Khamenei é fraco. Eu tenho que estar envolvido na nomeação, como aconteceu com Delcy", afirmou ele, referindo-se a Delcy Rodríguez, que assumiu como presidente interina da Venezuela depois que forças dos EUA capturaram o presidente Nicolás Maduro.

À agência de notícias Reuters, Trump também reforçou que quer estar "envolvido no processo de escolha" do próximo líder iraniano. "Não precisamos voltar a fazer isso a cada cinco anos, repetidamente", disse ele, sobre os ataques ao país do Oriente Médio.

O sucessor de Khamenei deve ser escolhido por um grupo de clérigos xiitas de alto escalão. Não está claro como Trump planeja influenciar essa decisão, mas seus comentários foram vistos como um sinal de que ele estaria disposto a trabalhar com alguém de dentro do regime, o que iria contra suas declarações anteriores.

Já Israel tem postura mais dura e prega o fim do regime.

gq/md (DW)

Como a guerra de EUA e Israel no Irã pode afetar o Brasil?
Mesmo pouco dependente do petróleo do Golfo, o Brasil deve sofrer efeitos da pressão inflacionária causada pelo conflito no Irã.

Especialistas afirmam que a alta na cotação do barril de petróleo pode gerar um aumento no diesel e, consequentemente, no preço do frete, atingindo o valor final da maioria dos produtos. Esse cenário pode ainda levar a uma pressão direta na taxa de juros.

Em termos de abastecimento, no entanto, o Brasil não deverá ser afetado. O país é praticamente autossuficiente em petróleo, e as importações do Oriente Médio, especialmente da Arábia Saudita, representam uma pequena parte do volume brasileiro total do combustível fóssil.

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Irã diz ter atacado petroleiro americano no Golfo Pérsico
A Guarda Revolucionária Iraniana afirmou nesta quinta-feira ter atacado um petroleiro dos Estados Unidos no norte do Golfo Pérsico e que a embarcação está em chamas. "O petroleiro americano foi atingido no início desta manhã no norte do Golfo Pérsico por combatentes da força naval do Corpo da Guarda Revolucionária" disse o corpo militar de elite em nota.

O incidente, que ainda não foi confirmado por fontes independentes, ocorre em um momento em que as forças iranianas dizem ter "controle total" do Estreito de Ormuz, uma importante via de navegação para o comércio global de petróleo.

Ao menos nove embarcações foram atacadas desde o início do conflito entre os EUA, Israel e Irã no fim de semana.

Um petroleiro com bandeira das Bahamas foi alvo de um barco iraniano controlado remotamente e carregado com explosivos enquanto estava ancorado perto do porto de Khor al Zubair, no Iraque, de acordo com relatos iniciais.

Um segundo petroleiro ancorado perto do Kuwait estava derramando petróleo e fazendo água após uma grande explosão em uma de suas laterais.

Centenas de navios aguardam passagem

Cerca de 200 navios, incluindo petroleiros, navios-tanque de gás natural liquefeito (GNL) e navios de carga, permaneciam ancorados em mar aberto na costa dos principais produtores do Golfo, de acordo com estimativas da agência de notícias Reuters com base em dados de rastreamento de navios da plataforma MarineTraffic.

Centenas de outras embarcações permaneciam fora do Estreito de Ormuz, sem conseguir chegar aos portos. O Estreito de Ormuz é uma artéria fundamental para cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e GNL.

Conflito no Oriente Médio se amplia com anúncios de Azerbaijão, França, Itália e Espanha
Após Grécia, França e Reino Unido anunciarem o envio de militares ao Chipre na esteira de um ataque de drone iraniano a uma base aérea britânica no país insular, Itália, Espanha e Holanda juntaram-se ao grupo.

Discursando ao Parlamento nesta quinta-feira (05/03), o ministro italiano da Defesa, Guido Crosetto, anunciou que os três países enviarão navios para proteger a ilha em meio à escalada da guerra no Irã.

Dias antes, o presidente francês, Emmanuel Macron, havia anunciado o envio de reforços militares à região, incluindo um porta-aviões, para defender "interesses econômicos" diante do bloqueio iraniano ao tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz.

A informação sobre a ação espanhola foi anunciada no mesmo dia em que o premiê espanhol, Pedro Sánchez, reiterou sua recusa em ceder bases espanholas a militares americanos em sua guerra contra o Irã.

Premiê espanhol acusou Trump de "brincar de roleta russa"

Na quarta-feira, a Casa Branca havia anunciado que a Espanha concordou em "cooperar com os militares americanos", apenas para ser desmentida por autoridades espanholas.

Em um pronunciamento televisionado, Sánchez declarou que "a posição do governo da Espanha pode ser resumida em três palavras: não à guerra", e acusou Trump de "de brincar de roleta russa com o destino de milhões".

Agora, uma nota do Ministério da Defesa espanhol afirma que a fragata Cristóvão Colombo se juntará ao porta-aviões Charles de Gaulle e a navios da Marinha grega para "oferecer proteção e defesa aérea", bem como "apoiar qualquer evacuação de civis". A expectativa da pasta é que a embarcação chegue à região no dia 10 de março.

França autoriza uso de bases pelos EUA

Também nesta quinta-feira, a França confirmou ter autorizado a presença "temporária" de aeronaves americanas em bases francesas no Oriente Médio.

"No âmbito de nossas relações com os Estados Unidos, a presença de suas aeronaves foi autorizada de maneira temporária em nossas bases [na região]", afirmou uma porta‑voz do Estado-Maior à agência de notícias AFP. "Essas aeronaves contribuem para a proteção de nossos parceiros no Golfo."

Azerbaijão confirma ataque de drone; Irã não se pronuncia

O conflito entre EUA-Israel e Irã se expandiu mais um pouco com a confirmação pelo Azerbaijão, nesta quinta-feira, de dois ataques de drones na noite anterior.

Segundo o Ministério do Exterior daquele país, um drone caiu próximo ao aeroporto de Nakhchivan, exclave azerbaijani na fronteira com o norte do Irã que é separado do resto do Azerbaijão pela Armênia.

O segundo drone caiu próximo a uma escola, ferindo dois civis, informou a pasta.

O Irã não confirmou ter mirado o Azerbaijão, mas seus ataques desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, têm se espalhado de forma errática – na quarta, a Turquia confirmou a interceptação pela Otan de um míssil iraniano lançado contra seu território.

O Ministério azerbaijani da Defesa anunciou que os ataques não ficariam "sem resposta" e anunciou a tomada de "medidas retaliatórias […] proteger a integridade territorial e soberania de nosso país, e assegurar a segurança de civis e de infraestrutura civil".

O Azerbaijão é uma nação aliada de Israel, embora o governo azerbaijani tenha assegurado ao regime em Teerã em junho do ano passado que não permitiria que seu território fosse usado por Tel Aviv para atacar o Irã.

O Irã é lar de uma grande minoria étnica azerbaijani: dos 83 milhões de cidadãos iranianos, cerca de 10 milhões têm raízes no país vizinho.

ra/md (AP, AFP)

Irã lança novos ataques contra Israel e países do Golfo
O Irã lançou durante a madrugada desta quinta-feira (05/02) novos ataques contra Israel e países do Golfo aliados dos Estados Unidos, no sexto dia da guerra na região. A Guarda Revolucionária do Irã disse ter realizado uma "operação combinada de mísseis e drones contra as posições" de Israel e das bases americanas na região, na 19ª onda de ataques iranianos.

As Forças de Defesa de Israel (FDI) acionaram vários alertas de mísseis lançados a partir do Irã e garantiram estar trabalhando para interceptar a ameaça. Até ao momento, não há registo de vítimas.

Países do Golfo relatam ataques

O Ministério da Defesa da Arábia Saudita afirmou ter interceptado três drones.

Um petroleiro na costa do Kuwait sofreu uma explosão, provocando um vazamento de petróleo. O incidente, que não deixou vítimas e não resultou em incêndios, ocorreu fora das águas territoriais do país, perto do Estreito de Ormuz – uma rota vital para o comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito sobre a qual o Irã diz ter total controle.

Segundo relatos, um navio de transporte de contêineres também teria sido atingido por mísseis no Estreito de Ormuz.

Este é o sexto dia de ataques iranianos em retaliação à operação conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra Teerã, que provocou a morte de centenas de pessoas e do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

Mais de mil mortes no Irã

Desde sábado, pelo menos 1.114 civis foram mortos no Irã, segundo dados da Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (Hrana), uma organização não-governamental sediada nos EUA. Entre estes, segundo a agência, pelo menos 181 eram crianças. A Hrana disse que ainda analisa outras quase 900 mortes adicionais relatadas.

Os ataques do Irã causaram a morte de seis soldados americanos no Kuwait, onde também morreram dois militares e uma criança, além das mortes de dez israelenses e de outra vítima no Bahrein.

rc/cn (Lusa, Reuters)

Senado dos EUA rejeita lei para interromper guerra no Irã
O Senado dos Estados Unidos rejeitou nesta quarta-feira (04/02) um projeto de lei que poderia interromper a guerra deflagrada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Irã. A decisão demonstra apoio inicial ao conflito que se espalhou rapidamente pelo Oriente Médio sem uma estratégia clara de saída para Washington.

A votação da chamada resolução sobre poderes de guerra, lançada pelo democrata Tim Kaine e co-patrocinada pelo republicano Rand Paul, terminou com 47 votos a favor e 53 contra.

Enquanto Rand Paul foi o único republicano a apoiar o projeto, o senador democrata John Fetterman, da Pensilvânia, foi o único a romper com o seu partido e votar contra a resolução, mantendo a sua postura de apoio a Israel.

O texto daria aos legisladores a oportunidade de exigir a aprovação do Congresso antes que qualquer outro ataque fosse realizado.
A votação de hoje também acontece a poucos meses das eleições legislativa de meio de mandato, e em um momento em que as pesquisas mostram que o conflito é profundamente impopular entre os americanos.

Embora o Congresso seja o único órgão autorizado a declarar guerra, uma lei de 1973 permite ao presidente lançar uma intervenção militar limitada para responder a uma situação de emergência criada por um ataque contra os Estados Unidos. Nesta segunda-feira, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, utilizou o termo "guerra" para descrever o conflito em curso com o Irã, e não simplesmente uma intervenção militar.

rc/cn (Lusa, AP)

EUA avaliam situação no Irã após relato de que filho de Khamenei pode suceder o pai
O presidente Donald Trump está discutindo com seus assessores qual papel os EUA poderiam ter no Irã após a campanha militar, enquanto a inteligência americana monitora relatos de que Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo do Irã assassinado, emergiu como o principal candidato a sucedê-lo, disse a Casa Branca nesta quarta-feira.

"Nós também vimos esses relatos, é claro, e isso é algo que nossas agências de inteligência estão analisando. A verdade é que teremos que esperar para ver", disse a repórteres a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt.

Leavitt acrescentou que Trump estava discutindo com sua equipe de segurança nacional qual papel Washington poderia ter no futuro do Irã após o término da operação, mas que o foco principal no momento era o sucesso da operação militar.

O filho do aiatolá Ali Khamenei, Mojtaba, emergiu como o principal candidato a suceder seu falecido pai como líder supremo do Irã, após anos forjando laços estreitos com a elite da Guarda Revolucionária e construindo influência entre o clero.

O sucessor de Khamenei deverá ser nomeado pelo principal órgão clerical, a Assembleia de Peritos. Um de seus membros, Ahmad Khatami, declarou à mídia estatal iraniana nesta quarta-feira que espera eleger o líder supremo "na primeira oportunidade".

Entre os candidatos ao cargo máximo estão Alireza Arafi, um dos três membros do conselho interino que governa o país, o linha-dura Mohsen Araki e até mesmo Hassan Khomeini, neto do fundador da República Islâmica em 1979.

Mojtaba Khamenei, de 56 anos, representaria uma transição hereditária que seu pai rejeitava como ideia em 2024.

md (Reuters, AFP)

Israel diz ter atacado complexo militar que inclui sedes das forças iranianas
Israel afirmou nesta quarta-feira (04/03) ter atacado um importante complexo militar em Teerã, que abriga centros de comando da Guarda Revolucionária, da Força Quds de elite e da força paramilitar Basij.

"Há pouco tempo, a Força Aérea Israelense, guiada com precisão pela inteligência militar das Forças de Defesa de Israel (IDF), concluiu um ataque em larga escala contra um grande complexo militar no leste de Teerã", que continha "os quartéis-generais de todas as organizações de segurança iranianas", afirmou o Exército israelense em nota.

Outras agências de segurança iranianas que operam no complexo incluíam a diretoria de inteligência do Irã, as forças de segurança interna e a unidade de guerra cibernética do Irã, informou o Exército.

rc (AFP)

Submarino dos EUA afunda navio de guerra do Irã em águas internacionais
Um submarino americano afundou um navio de guerra iraniano no Oceano Índico, afirmou nesta quarta-feira o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, que destacou o ataque como uma prova do alcance global dos EUA em sua guerra contra o Irã.

"Um submarino americano afundou um navio de guerra iraniano que pensava estar seguro em águas internacionais. Em vez disso, foi afundado por um torpedo", disse Hegseth a jornalistas.

148 marinheiros desaparecidos

As autoridades do Sri Lanka – país mais próximo ao local do afundamento – disseram ter resgatado 32 tripulantes da fragata IRIS Dena, mas que outros 148 marinheiros estavam desaparecidos, com poucas esperanças de serem encontrados.

Não se sabe ainda o total de mortos no ataque, mas o vice-ministro do Exterior do Sri Lanka afirmou a uma emissora de televisão local nesta quarta-feira que pelo menos 80 pessoas morreram no incidente. Hegseth chamou o ataque de "morte silenciosa" e o primeiro afundamento de um navio inimigo por torpedo pelos EUA desde a Segunda Guerra Mundial. "Como naquela guerra", disse ele, "estamos lutando para vencer".

O Pentágono afirmou que um dos principais objetivos da guerra dos EUA e Israel contra o Irã, iniciada no sábado, é destruir a Marinha do país.

Operação de resgate em alto mar

O ministro do Exterior do Sri Lanka, Vijitha Herath, disse ao Parlamento do país que os iranianos resgatados foram levados às pressas para o principal hospital no sul do país insular, enquanto duas embarcações da Marinha e um avião foram mobilizados para procurar outros sobreviventes.

A fragata emitiu um pedido de socorro ao amanhecer desta quarta-feira e, em menos de uma hora, uma embarcação de resgate chegou à área, a cerca de 40 quilômetros ao sul do porto de Galle, disse o ministro.

A fragata afundou completamente, e apenas uma mancha de óleo permaneceu quando os barcos de resgate da Marinha se aproximaram.

"Estamos mantendo as buscas, mas ainda não sabemos o que aconteceu com o restante da tripulação", disse um oficial da Defesa do Sri Lanka.

"Respondemos ao pedido de socorro em conformidade com nossas obrigações internacionais, já que isso está dentro de nossa área de busca e salvamento no Oceano Índico", afirmou um porta-voz da Marinha do Sri Lanka. "Encontramos alguns corpos na área onde o navio afundou."

rc/ra (AFP, Reuters)

Irã adia funeral de três dias para o aiatolá Khamenei
O Irã adiou o funeral do líder supremo Ali Khamenei – morto no sábado (28/02), primeiro dia dos ataques dos EUA e Israel –, cujo início estava previsto para a noite desta quarta-feira (04/03), com duração de três dias.

A agência de notícias estatal Irna havia informado inicialmente que as pessoas poderiam prestar suas homenagens a partir das 22h, no horário local (15h30 no horário de Brasília), na mesquita Imam Khomeini, em Teerã.

Mais tarde, porém, a televisão estatal iraniana informou que o funeral seria adiado "em antecipação a uma participação popular sem precedentes". A nova data será anunciada posteriormente.

Khamenei, de 86 anos, foi morto no sábado, nos ataques conjuntos entre EUA e Israel. Ele liderava o país desde 1989. Espera-se que ele seja enterrado em Mashhad, sua cidade natal e a segunda maior do país.

rc/ra (DW)

UE sai em defesa da Espanha após ameaça de Trump
A União Europeia (UE) afirmou nesta quarta-feira (04/03) estar preparada para defender seus interesses e os de seus Estados-membros, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar cortar relações comerciais com a Espanha.

A reação americana veio após o governo espanhol se recusar a permitir que os EUA usassem duas bases militares americanas localizadas na região de Andaluzia, no sul do país, como plataforma para a guerra contra o Irã.

"Estamos em total solidariedade com todos os Estados-membros e seus cidadãos e, por meio de nossa política comercial comum, estamos preparados para agir, se necessário, para salvaguardar os interesses da UE", afirmou o porta-voz da Comissão Europeia, Olof Gill, em nota divulgada em resposta às ameaças de Trump.

Os EUA pretendiam utilizar a base naval de Rota e a base aérea de Morón, herdadas de um acordo de 1953 entre os Estados Unidos e a Espanha, quando o país era governado pelo ditador Francisco Franco.

Atualmente, o uso das instalações é regido por um acordo de cooperação em defesa entre os dois membros da Otan.

O porta-voz lembrou que "a UE e os Estados Unidos concluíram um importante acordo comercial no ano passado", e disse que a Comissão espera que Washington "respeite integralmente seus compromissos".

Bruxelas "continuará trabalhando por relações comerciais transatlânticas estáveis, previsíveis e mutuamente benéficas", ressaltou.

Este não é o primeiro desentendimento entre Trump e o primeiro-ministro espanhol, o socialista Pedro Sánchez. Há meses, Trump critica a Espanha por não aumentar seus gastos militares para 5% do PIB, em conformidade com a nova meta estabelecida para os países da Otan.

"A Espanha tem sido terrível" e "muito, muito pouco cooperativa", criticou Donald Trump nesta terça-feira.

"Não se pode brincar de roleta russa com o destino de milhões"

O premiê Sánchez rebateu nesta quarta-feira as declarações do presidente dos EUA, afirmando em um pronunciamento televisionado que "a posição do governo da Espanha pode ser resumida em três palavras: não à guerra".

"Não seremos cúmplices de algo que é prejudicial ao mundo e contrário aos nossos valores e interesses, simplesmente por medo de represálias", afirmou o socialista. "É assim que começam os grandes desastres da humanidade […] não se pode brincar de roleta russa com o destino de milhões."

O primeiro-ministro é um dos poucos líderes europeus a condenar os ataques de Israel ao Irã. Além dele, o presidente francês, Emmanuel Macron, também acusou Israel e Irã de agirem "à margem do direito internacional", mas atribuiu a Teerã a principal responsabilidade pelo conflito.

Sánchez defendeu sua postura dizendo que era "consistente e coerente" com suas posições em relação aos conflitos na Ucrânia e na Faixa de Gaza.

O premiê espanhol destacou as lições da invasão americana do Iraque em 2003, que desestabilizou a região, desencadeou um aumento do terrorismo islâmico e fez com que os preços da energia disparassem.

Ele já havia denunciado anteriormente os bombardeios americanos e israelenses ao Irã, chamando-os de ilegais e imprudentes.
A Espanha também foi um dos poucos países europeus a condenar consistentemente Israel por sua guerra em Gaza.

rc/ra (AFP, DW)