O Exército de Israel admitiu neste sábado, 29, ter disparado contra ambulâncias e caminhões dos bombeiros na Faixa de Gaza, alegando tendo identificado-os como “veículos suspeitos”.
Depois de quase dois meses de trégua na guerra contra o grupo radical islâmico Hamas, as tropas isralenses retomaram bombardeios e operações terrestres na região em 18 de março.
O incidente analisado pelo Exército israelense aconteceu na última semana, no bairro de Tal al-Sultan, na cidade de Rafah, próxima à fronteira com o Egito.
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Segundo um comunicado militar enviado à agência de notícias AFP, as tropas israelenses “abriram fogo contra veículos do Hamas e eliminaram vários terroristas”. Minutos depois, “mais veículos avançaram suspeitosamente em direção às tropas […] que responderam com disparos”, relatou o Exército.
“Depois de uma investigação inicial, determinou-se que alguns dos veículos suspeitos […] eram ambulâncias e caminhões dos bombeiros”, acrescentou a Força Armada na nota.
O Exército não indica se foi alvo de disparos desses veículos, mas denunciou “o uso repetido” por parte das organizações em Gaza “de ambulâncias para seus objetivos terroristas”.
No dia seguinte ao ocorrido, a Defesa Civil de Gaza indicou que não tinha notícias de uma equipe de seis socorristas de Tal al-Sultan que foram mobilizados para atender às vítimas.
Na sexta-feira, 27, reportou a descoberta do corpo do chefe da equipe, uma ambulância e um caminhão dos bombeiros, além de um veículo do Crescente Vermelho, “reduzidos a um monte de sucata”.
Um membro do escritório político do Hamas, Bassem Naim, acusou Israel de “um massacre brutal e deliberado” contra as equipes de resgate, o que “constitui uma violação flagrante da Convenção de Genebra e um crime de guerra”.
O responsável do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU, Tom Fletcher, disse que, desde a retomada da ofensiva em Gaza em 18 de março, os ataques israelenses em áreas densamente povoadas “mataram centenas de crianças e outros civis”.
“Pacientes mortos em suas camas de hospital. Ambulâncias alvejadas. Trabalhadores de emergência assassinados”, acrescentou Fletcher em comunicado.