Após sete anos afastada das novelas, Isabelle Drummond, 31, retorna à televisão e fala abertamente sobre a importância da fé em sua vida, algo que, segundo ela, também já foi motivo de críticas e preconceito. A atriz afirma que já enfrentou julgamentos por ser evangélica e acredita que a intolerância religiosa tem aumentado nos últimos tempos.
“Foi algo muito agravado pela política. Existe uma ideia errada sobre o que é a religião evangélica”, comenta.
Batizada aos 10 anos em uma igreja batista, Isabelle explica que a religiosidade não foi uma imposição da família, mas uma escolha pessoal que se fortaleceu com o passar dos anos. Hoje, ela frequenta a Comunidade de Fé e mantém uma rotina dedicada à espiritualidade, participando de cultos, estudos bíblicos e encontros semanais. “Não existe nada na minha vida fora desse lugar de entrega a Deus”, diz. Mesmo diante de críticas, a atriz afirma que não abre mão de expressar sua fé.
A ligação com a espiritualidade ganhou ainda mais força após um episódio doloroso de sua vida. Em 2007, quando tinha 13 anos e fazia parte do elenco da novela Eterna Magia, Isabelle perdeu o pai, Fernando Luiz Drummond Xavier, vítima de um suposto assalto em Piratininga, na região metropolitana do Rio de Janeiro. “É um luto muito difícil. Com o tempo as coisas se assentam, mas não é algo que se resolve. A falta é eterna”, relata. “Creio que vou reencontrar meu pai, e isso é uma grande esperança.”
O retorno às telinhas acontece justamente no momento em que a atriz completa 25 anos de carreira. Isabelle iniciou sua trajetória artística ainda criança, na minissérie Os Maias, exibida em 2001. No mesmo ano, conquistou grande visibilidade ao interpretar a boneca Emília em O Sítio do Picapau Amarelo, adaptação da obra de Monteiro Lobato exibida pela TV Globo, papel que desempenhou até 2006.
Na nova novela Coração Acelerado, Isabelle assume o papel da antagonista Naiane. A personagem permite que a atriz explore sentimentos que afirma nunca ter trabalhado antes em cena, como inveja, rivalidade e narcisismo. Para dar vida à vilã, ambientada no universo sertanejo, ela intensificou a rotina de treinos e adotou um visual mais marcante, que descreve de forma bem-humorada como “pernão e bundão”, em sintonia com o estilo da trama.
Além das novelas, a atriz também tem direcionado seus projetos para discussões ligadas ao universo feminino. Em 2024, estrelou o espetáculo Tina, Respeito, desenvolvido em parceria com a ONU Mulheres e inspirado na personagem criada por Mauricio de Sousa. Na peça, interpreta uma jornalista que enfrenta situações de machismo e assédio no ambiente profissional. “Situações machistas acontecem todos os dias. Às vezes, você é mais respeitada quando há um homem ao lado”, afirma.