Manifestantes iranianos formaram correntes humanas para “abraçarem” pontes e usinas elétricas nesta terça-feira (7), como protesto contra o ultimato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O republicano ameaçou bombardear infraestruturas civis da nação persa se um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz não for alcançado até as 21h (no horário de Brasília).
Ainda não está claro se as manifestações são espontâneas ou planejadas, visto que o governo iraniano tem organizado manifestações em apoio à resistência do país ao longo da guerra — e reprimido focos de dissidência ao regime.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram populares agitando bandeiras da República Islâmica e exibindo cartazes de Ali Khamenei, o ex-líder supremo, morto no primeiro dia de guerra em um bombardeio. “Ataques à infraestrutura elétrica são considerados crimes de guerra”, diz um dos escritos.
Já no norte do Irã, manifestantes se concentram em frente à usina de Semnan e gritam: “Morte à América. Morte a Israel”, segundo o jornal reformista Shargh. De acordo com a agência de notícias semioficial Mehr, também foi registrada uma mobilização na White Bridge, em Ahvaz, no sul do país, em meio às ameaças crescentes de EUA e Israel.
As Forças Armadas israelenses anunciaram ter explodido oito pontes em território iraniano nesta terça, enquanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que ferrovias e pontes no Irã “usadas pela Guarda Revolucionária” foram atingidas, prometendo atacar com força crescente.
Ainda nesta terça, Trump voltou a fazer ameaças contra o Irã, um dia após o republicano ter afirmado que o país poderia ser destruído “em uma única noite”. Por meio de uma publicação na rede social Truth Social, o presidente estadunidense disse que “uma civilização inteira vai morrer esta noite, para nunca mais ser recuperada”, em referência à falta de acordo para a interrupção do conflito na região.
Contraproposta e plano de paz
Na segunda-feira (6), o Irã enviou ao Paquistão uma contraproposta formal ao plano de 15 pontos apresentado pelos Estados Unidos, visando interromper o conflito no Oriente Médio. A iniciativa, embora considerada um “grande passo” pelo presidente Donald Trump, foi julgada insuficiente para pôr fim às tensões na região.
Segundo a agência de notícias oficial Irna, a contraproposta do Irã detalha 10 itens, rejeitando um cessar-fogo temporário e enfatizando a “necessidade de um fim definitivo” do conflito. Teerã também exige um protocolo para a passagem segura de navios no crucial Estreito de Ormuz, bem como ressarcimentos pelos danos sofridos e a revogação de todas as sanções impostas ao país.
Em coletiva de imprensa em Washington, o presidente Donald Trump reiterou que, embora seja “um passo significativo”, a contraproposta iraniana “ainda não é o bastante”. O mandatário americano afirmou que “a guerra pode acabar rapidamente se eles fizerem algumas coisas”, sinalizando que espera mais concessões de Teerã.
Trump admitiu ainda que os Estados Unidos enviaram armas para manifestantes no Irã com o objetivo de derrubar o regime vigente na República Islâmica, que já dura quase 50 anos. Contudo, os equipamentos acabaram “nas mãos de outros grupos”, conforme declarado pelo presidente.
Qual a posição iraniana?
Mais cedo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, havia categorizado a proposta original de 15 pontos do governo Trump como “não aceitável de maneira nenhuma”. Segundo Baghaei, as negociações de paz seriam “incompatíveis com ultimatos e ameaças de cometer crimes de guerra”, refletindo a postura firme de Teerã.
O plano americano, por sua vez, previa um cessar-fogo temporário para viabilizar as tratativas, exigindo de Teerã o compromisso de não desenvolver armas nucleares e a desativação das usinas de enriquecimento de urânio de Natanz, Isfahan e Fordow. Adicionalmente, o plano demandava o encerramento do financiamento a grupos aliados no Oriente Médio, a limitação do programa de mísseis balísticos e a liberação da navegação no Estreito de Ormuz.
*Com informações da Ansa e AFP