ROMA, 15 JAN (ANSA) – O Irã reabriu seu espaço aéreo nesta quarta-feira (15) após um fechamento de quase cinco horas, que forçou companhias aéreas a cancelar, desviar ou atrasar voos.
A paralisação havia sido decretada em meio ao aumento das tensões entre Irã e Estados Unidos, após o presidente Donald Trump indicar que poderia autorizar uma intervenção militar diante da onda de protestos que atinge o país.
Segundo o serviço de rastreamento de voos Flightradar24, o aviso de fechamento foi removido, permitindo a retomada gradual das operações. As companhias iranianas Mahan Air, Yazd Airways e Ava Airlines já reiniciaram voos com destino ao país.
A reabertura ocorre em meio a um cenário de forte instabilidade interna e pressão internacional. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou em entrevista à Fox News que “não haverá enforcamentos hoje nem amanhã”, em resposta a críticas sobre a repressão aos protestos antigovernamentais que se espalham pelo país desde o fim de dezembro.
No mesmo contexto, promotores iranianos confirmaram que Erfan Soltani, de 26 anos, detido durante as manifestações, não foi condenado à morte.
De acordo com a mídia estatal, citada pela Sky News, Soltani responde por acusações de “conluio contra a segurança interna e propaganda contra o regime”, crimes que, segundo as autoridades, não preveem pena de morte se confirmados em tribunal.
Hoje, a situação no Irã será discutida pelo Conselho de Segurança da ONU, que se reunirá a pedido dos Estados Unidos para uma sessão informativa sobre os acontecimentos no país.
Internamente, a repressão segue intensa. A emissora estatal iraniana IRIB informou a prisão de cerca de 300 manifestantes nas últimas 72 horas e alegou que um grupo terrorista apoiado pela monarquia – ou seja, pelo filho do último xá da Pérsia, Reza Pahlavi – planejava sabotar o metrô de Mashhad, a segunda maior cidade do país.
Organizações de direitos humanos, por sua vez, apresentam números muito mais elevados: a agência Hrana aponta que mais de 18,4 mil pessoas foram detidas, enquanto outras 2615 morreram desde o início dos protestos, incluindo manifestantes, membros das forças de segurança e civis.
Diante do agravamento da crise, a Itália anunciou a redução de sua presença diplomática no país. Segundo o vice-premiê e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, apenas o pessoal essencial permanecerá na embaixada em Teerã, enquanto os demais cidadãos italianos foram instados a deixar o país persa.
Questionado sobre uma possível intervenção dos Estados Unidos, o ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, afirmou que o cenário é incerto. “Ontem eu teria dito que sim, hoje talvez eu diria que não. A situação muda a cada hora”, concluiu. (ANSA).