Irã publica lista com nomes de 2,9 mil mortos em protestos

Irã publica lista com nomes de 2,9 mil mortos em protestos

TEERÃ, 1 FEV (ANSA) – O gabinete presidencial do Irã divulgou neste domingo (1º) uma lista com os nomes de 2.986 pessoas mortas durante a onda de protestos que chacoalhou o país entre o fim de dezembro e o início de janeiro.

O comunicado traz também os nomes dos pais e parte dos números de identidade de cada vítima, em uma forma de o regime dos aiatolás rebater informações divulgadas por grupos de dissidentes no exterior, que falam em até 40 mil mortes.

“A publicação da lista, fornecida pela Polícia Científica do Estado, ocorre sob ordem do presidente Masoud Pezeshkian, com base em princípios de transparência, responsabilidade e prestação de contas”, afirma a nota.

De acordo com o governo iraniano, um total de 3.117 pessoas morreram nas manifestações, porém 131 não foram identificadas até o momento.

“As vítimas dos recentes tumultos são filhos desta terra, e nenhum enlutado deve permanecer em silêncio e indefeso. Ao contrário dos inimigos, que buscam ganhos políticos, acreditamos que as vítimas não são apenas números”, ressalta o comunicado.

Além disso, a polícia libertou mediante fiança Erfan Soltani, cidadão de 26 anos que se tornou símbolo dos protestos e que corria risco de ser condenado à morte.

A revolta foi deflagrada no fim de dezembro, por conta da crise econômica e da inflação no Irã, mas logo abarcou toda a insatisfação contra um regime teocrático que governa o país desde a Revolução Islâmica de 1979.

As autoridades iranianas definiram os manifestantes como “terroristas” financiados por Estados Unidos e Israel, enquanto o presidente Donald Trump vem ameaçando atacar a nação persa e enviou uma imponente frota da Marinha para o Oriente Médio. No último sábado (31), no entanto, o republicano disse que o Irã está “negociando de modo sério”.

“Espero negociar algo que seja aceitável”, acrescentou. Por sua vez, o guia supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, afirmou neste domingo que um eventual bombardeio americano deflagraria uma “guerra regional” no Oriente Médio. (ANSA).