Irã promete vingar a morte de Larijani e ataca Israel

Duas pessoas morreram em Tel Aviv após queda de mísseis na cidade

AFP
Forças de segurança de Israel isolam estação de trem em Tel Aviv após ataques do Irã Foto: AFP

O Oriente Médio vive mais um dia de conflito nesta quarta-feira (18/03). Em resposta direta ao assassinato de seu chefe de Segurança, Ali Larijani, o regime iraniano disparou uma salva de mísseis contra Israel, resultando em duas mortes confirmadas nos arredores de Tel Aviv. A ofensiva ocorre em um cenário de terra arrasada iniciado em 28 de fevereiro, após a eliminação do Aiatolá Ali Khamenei, e coloca as potências globais diante de um conflito que já sufoca a economia mundial com o petróleo orbitando os 100 dólares.

+ EUA usam superbomba para liberar Estreito de Ormuz

Os eixos da escalada no Oriente Médio

  • Retaliação sangrenta: Teerã promete resposta “decisiva” após a perda de Larijani e do comandante da milícia Basij em ataques atribuídos a Israel.

  • Guerra de nervos no Golfo: EUA utilizam bombas de alta potência para tentar romper o bloqueio no Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do óleo mundial.

  • Liderança na sombra: Israel intensifica a caçada a Mojtaba Khamenei, o novo guia supremo iraniano que permanece em local incerto desde sua nomeação.

A fúria de Teerã e o isolacionismo de Trump

A Guarda Revolucionária confirmou que os ataques de hoje visam vingar o “sangue do mártir” Larijani. Enquanto mísseis cortam o céu, a retórica em Washington endurece. O presidente Donald Trump, em sua plataforma Truth Social, atacou aliados que hesitam em escoltar petroleiros, reafirmando um isolacionismo beligerante: “Não precisamos da ajuda de ninguém”.

Internamente, a Casa Branca enfrenta fissuras: Joseph Kent, diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, renunciou por não apoiar a guerra. A resposta de Trump foi curta e ácida, classificando o ex-assessor como “fraco na segurança”.

Israel e a doutrina da “neutralização”

O governo de Benjamin Netanyahu não dá sinais de recuo. O porta-voz militar Effie Defrin foi enfático ao declarar que o objetivo é “rastrear e neutralizar” Mojtaba Khamenei. A estratégia israelense foca em decapitar a estrutura de comando da República Islâmica, ignorando as críticas da Turquia, que classifica as execuções políticas como atividades ilegais fora das leis de guerra.

O drama humanitário no Líbano

Enquanto as potências medem forças, o custo humano explode no Líbano. Desde que o Hezbollah entrou no conflito para vingar o Aiatolá Khamenei, o país tornou-se um cemitério a céu aberto, com mais de 900 mortos e um milhão de deslocados. Em cidades como Sidon, a estrutura de acolhimento colapsou, forçando famílias a buscarem abrigo em carros e escolas superlotadas. O cenário é de uma catástrofe que, como advertiu o chanceler iraniano Abbas Araghchi, “está apenas começando e afetará a todos”.

Com informações da AFP