O chefe do Judiciário iraniano alertou, neste domingo (25), que os responsáveis pela recente onda de protestos antigovernamentais poderão ser punidos “sem a menor clemência”.
“Justiça significa julgar e punir sem a menor clemência os criminosos que pegaram em armas e assassinaram pessoas, ou cometeram incêndios criminosos, destruição e massacres”, declarou Gholamhosein Mohseni Ejei, citado pelo portal oficial de notícias do Judiciário, Mizan.
“O povo exige, com razão, que os acusados e os principais instigadores dos tumultos, atos de terrorismo e violência sejam julgados o mais rápido possível e punidos, caso sejam considerados culpados”, acrescentou.
As manifestações começaram no início de janeiro como protestos contra o custo de vida e se transformaram em um movimento de protesto mais amplo, representando o maior desafio em anos ao poder clerical que governa a República Islâmica.
O governo respondeu com uma repressão realizada em meio a um apagão das conexões de internet, que deixou o Irã praticamente isolado do mundo exterior.
O governo iraniano contabilizou 3.117 mortos nos protestos, incluindo 2.427 pessoas rotuladas como “mártires”, um termo usado para distinguir membros das forças de segurança e civis inocentes daqueles descritos pelas autoridades como “manifestantes violentos” incitados pelos Estados Unidos e Israel.
No entanto, grupos de direitos humanos afirmam que os manifestantes representam a grande maioria das mortes, documentando milhares de óbitos.
A ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, afirma que o número final de mortos pode ultrapassar 25.000.
A Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos EUA, informou que mais de 26.000 pessoas foram detidas em conexão com as manifestações.
O Irã é o segundo país do mundo que mais frequentemente aplica a pena de morte, depois da China, e o crescente número de prisões e as promessas das autoridades de aplicar punições severas aumentam os temores de que o país possa usar execuções para reprimir a dissidência.
smw/dcp/mb/an/aa